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novembro, 2012

Brasileiro terá que trabalhar menos em 2013 para se aposentar

Expectativa de vida mudou, o que exige uma revisão do valor dos benefícios da Previdência Social

SÃO PAULO – A expectativa de vida do brasileiro mudou e isso exige uma revisão do valor das aposentadorias da Previdência Social.

Assim, com a divulgação, nesta quinta-feira (29), da tábua de mortalidade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) houve mudança no valor do Fator Previdenciário usado no cálculo da aposentadoria.

Tempo de contribuição para aposentar muda com aumento da expectativa de vida

De acordo com a pesquisa do IBGE, entre 2010 e 2011, a esperança de vida dos brasileiros aumentou de 73,8 anos para 74,1 anos. Na prática, isso significa que os trabalhadores da iniciativa privada teriam de trabalhar mais para conseguirem se aposentar com o mesmo valor dos benefícios que receberiam, se solicitassem sua aposentadoria hoje.

Porém, as projeções do Instituto revelaram que com a faixa de idade que vai de 52 até 80 anos, a expectativa de sobrevida caiu, o que beneficia os segurados.

Aposentadoria por tempo de contribuição
O aumento da expectativa de vida influencia diretamente o cálculo do fator previdenciário, um dos componentes para o cálculo do valor de aposentadoria por tempo de contribuição.

Na faixa de 60 anos de idade e 35 anos de contribuição, por exemplo, o fator passou de 0,867 para 0,873, o que faz com que o trabalhador com esta idade e tempo de contribuição possa contribuir 71 dias a menos para obter o mesmo valor de aposentadoria, se tivesse requerido o benefício um dia antes.

No caso de um trabalhador com 55 anos de idade e 35 anos de contribuição, para manter o mesmo valor, poderá contribuir 17 dias a menos, visto que o atual fator passou para 0,716.

O fator previdenciário é utilizado obrigatoriamente apenas no cálculo do valor da aposentadoria por tempo de contribuição. Na aposentadoria por invalidez, não há utilização do fator e, na aposentadoria por idade, a fórmula é utilizada apenas para beneficiar o segurado.

Sobre o fator
Se o fator for maior que 1, há acréscimo no valor do benefício em relação à média do salário-de-contribuição utilizada no cálculo da aposentadoria. Se o fator for igual a 1, não há alteração. E, caso o fator seja menor do que 1, haverá redução do valor em relação à mencionada média. Isso significa que o valor da aposentadoria cresce à medida que o segurado tiver mais idade e maior for seu tempo de contribuição.

Nova tabela
O novo fator será aplicado apenas às aposentadorias solicitadas a partir da publicação do índice do IBGE. Os benefícios já concedidos não sofrerão qualquer alteração em função da divulgação da nova tábua.

Fonte: Infomoney

Mercado projeta PIB menor e manutenção dos juros

Os analistas das instituições financeiras revelaram hoje, 26/11, através do Relatório de Mercado – Focus  que mantém a sua expectativa em relação a manutenção dos juros básicos da economia brasileira no atual patamar. O mercado financeiro aposta que o Copom em sua reunião que começa amanhã e encerra-se na próxima quarta-feira, dia 28/11, deve encerrar o ciclo de afrouxamento da politica monetária mantendo os juros em 7,25% ao ano. Ao todo, a autoridade monetária promoveu redução na taxa básica de juros nas 10 reuniões anteriores do Copom.

Os economistas dos bancos passaram a precificar a Selic em 7,25% ao ano, após a divulgação da ata do Copom ao término da última reunião, em que a autoridade monetária informou que o cenário ainda permitia um “último” corte nos juros – indicando que novos cortes não ocorreriam.

O mercado financeiro projeta que a taxa básica de juros da economia permaneça em 7,25% ao ano, até o dezembro de 2013.

Inflação

A estimativa dos analistas do mercado financeiro, em relação ao índice oficial de inflação do governo medido pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo foi reduzida de 5,45% para 5,43%  em 2012. Para o próximo ano, a estimativa dos analistas das instituições financeiras para o  índice de inflação oficial subiu de 5,39% para 5,40%. A definição  da politica monetária do governo a ser discutida na reunião do Copom que acontece nesta semana, 27 e 28/11,  passa obrigatoriamente pelo cenário de inflação de 2013 e 2014.

Em relação a inflação de curto prazo, o mercado financeiro manteve a expectativa de recuo para o IPCA de novembro. A projeção dos analistas dos bancos aponta recuo de 0,48% para 0,46% em novembro. Para dezembro, o mercado financeiro manteve a projeção da semana passada, ou seja, 0,53%.

PIB e cambio

Para o crescimento da economia medido pelo PIB – Produto Interno Bruto de 2012, os analistas das instituições financeiras mantiveram a sua percepção de redução do crescimento de 1,52% para 1,50%. Para 2013, a projeção para o crescimento da economia recuou de 3,96% para 3,94%.

Logo, o mercado financeiro mostra que não compactua com a visão do Ministério da Fazenda, de que a economia brasileira deverá apresentar crescimento de 4,00% no próximo ano.

A estimativa dos economistas dos bancos para produção industrial brasileira melhorou ligeiramente em relação à última semana. Na avaliação do mercado financeiro a produção industrial subiu de -2,39% para -2,30%. Para 2013, a estimativa também subiu, só que de 4,15% para 4,20%.

Em relação à taxa de cambio, os economistas dos bancos mantiveram a sua projeção para 2012 em R$ 2,03 por unidade da moeda norte-americana. Para 2013, a estimativa permaneceu em R$ 2,02.

Balanço de pagamento e IED

O mercado financeiro elevou de US$ 19,20 bilhões para US$ 19,60 bilhões a sua projeção para o saldo positivo para o saldo da balança comercial brasileira em 2012. Para o próximo ano, a estimativa dos analistas dos bancos para o saldo da balança comercial ficou em US$ 15,52 bilhões, mesma estimativa da semana passada.

Para 2012, a expectativa em relação ao ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2013, a estimativa do mercado financeiro para a entrada de investimentos estrangeiros caiu de US$ 60 bilhões para US$ 59 bilhões.

Mercado reduz projeção para crescimento da economia brasileira em 2012 e 2013

O Relatório de Mercado – Focus divulgado hoje, 19/11, pelo Banco Central do Brasil revela que os analistas das instituições financeiras voltaram a reduzir sua estimativa para o crescimento da economia brasileira tanto neste ano como no próximo.

Inflação

Os economistas dos bancos reduziram a sua projeção para o índice oficial de inflação do governo. Na avaliação do mercado financeiro a estimativa para o IPCA recuou de 5,46% para 5,45% neste ano. Para 2013, a projeção também recuou só que de 5,40% para 5,39%.

Para a inflação de curto prazo o mercado financeiro projeta estabilidade mantendo inalterada, em 0,50%,  a variação do IPCA para novembro e em 0,51% o IPCA de dezembro.

Crescimento econômico e cambio

Os analistas dos bancos reduziram nesta semana sua estimativa para o crescimento da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto, de 1,54% para 1,52%. Para o próximo ano, a projeção dos economistas dos bancos recuou de 4,00% para 3,96%.

Logo, o mercado financeiro sinaliza que não compartilha da expectativa de governo de que a economia brasileira crescerá acima de  4,00% no próximo ano.

No tocante a produção industrial, a projeção dos analistas das instituições financeiras recuou de 2,32% para 2,39% em 2012. Entretanto, para 2013 a estimativa para a expansão da indústria também foi elevada de 4,10% para 4,15%.

O mercado financeiro projeta que a taxa de câmbio em 2012 deverá fechar  em R$ 2,03 contra uma estimativa de R$ 2,02 por unidade da moeda norte americana na semana passada. Para 2013, a projeção subiu de R$ 2,01 para R$ 2,02.

Taxa de juros

Os analistas dos bancos mantiveram a sua projeção de que a taxa básica de juros deverá encerrar 2012 em 7,25% ao ano. Da mesma, forma manteve a projeção no mesmo patamar, ou seja, em 7,25% ao ano para 2013.

Balanço de pagamentos e IED

O mercado financeiro elevou a sua projeção para o saldo positivo da balança comercial brasileira em 2012, de US$ 18,90 bilhões para US$ 19,20 bilhões. Para o próximo ano, a projeção para a evolução do superávit da balança comercial subiu de US$ 15.43 bilhões para US$ 15,52 bilhões.

A estimativa para o ingresso de investimentos estrangeiros no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2013, a projeção dos economistas dos bancos para a entrada de investimentos estrangeiros continuou também em US$ 60 bilhões.

Mercado financeiro reduz projeção para Selic em 2013

O Relatório de Mercado – Focus divulgado hoje, 12/11, revela que os analistas das instituições financeiras deixaram de lado a sua expectativa de elevação para a taxa básica de juros para o próximo ano.

A projeção do mercado financeiro que na semana passada era de uma taxa Selic de 7,63% ao ano foi reduzida para 7,25% ao ano, mesma expectativa para o encerramento de 2012. Na avalição do mercado financeiro a Selic só voltaria a ser elevada, quando avançariam para 7,75% ao ano, em janeiro de 2014. Em março, os juros voltariam a subir para 8,00% ao ano e, em abril para 8,25% ao ano, encerrando 2014 neste patamar.

Os analistas dos bancos acreditavam que os juros voltariam a ser elevados apenas em outubro de 2013, para 7,50% ao ano. Porém em 5 de outubro deste ano, a projeção dos analistas do mercado financeiro era de que os juros básicos da economia voltariam a subir a partir de janeiro de 2013, quando seria elevado para 7,50% ao ano.

Percepção diferente

Os analistas das instituições financeiras passaram a ver as alterações na atuação da autoridade monetária a partir a redução dos juros promovida pelo Copom em sua última reunião quando a Selic foi reduzida para 7,25% ao ano, naquele momento parte dos economistas dos bancos projetava a manutenção da taxa básica de juros, e a ata da reunião marcou a posição do Bacen de manter os juros no atual patamar por um “período suficientemente prolongado” de tempo. Pois ata do Copom confirmou, que a redução da Selic ocorrida juros do início deste mês deveria ser a última.

Inflação

A expectativa dos analistas das instituições financeiras em relação ao índice oficial de inflação para 2012 subiu de 5,44% para 5,46%. Na semana passada, o mercado financeiro havia reduzido a sua estimativa para o IPCA após 16 semanas consecutivas de alta. Para o próximo ano, a projeção dos analistas do mercado financeiro para a inflação continuou em 5,40%.

Em relação à inflação de curto prazo, os economistas dos bancos, reduziram de 0,50% para 0,51% a sua estimativa para o IPCA de novembro, da mesma forma baixaram a sua estimativa de 0,52% para 0,51% para o índice oficial de inflação do governo calculado pelo IBGE.

PIB e cambio

O mercado financeiro manteve em 1,54% a sua projeção para o crescimento da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto em 2012. Para o próximo ano, também manteve a sua estimativa em 4,00%.

No tocante a produção industrial, a projeção dos analistas das instituições financeiras recuou de 2,31% para 2,32% em 2012. Para 2013, a estimativa para a expansão da indústria também recuou só que de 4,15% para 4,10%.

A projeção do mercado financeiro para a evolução da taxa de câmbio em 2012 permaneceu em R$ 2,02 por unidade da moeda norte-americana. Para  2013, a estimativa permaneceu  em R$ 2,01.

Balanço de pagamentos e IED

Os economistas dos bancos elevaram a sua projeção para o saldo positivo da balança comercial brasileira de 2012 de US$ 18,20 bilhões para US$ 18,90 bilhões. Para o próximo ano, a estimativa dos analistas dos bancos para o superávit  da balança comercial subiu de US$ 15 bilhões para US$ 15,43 bilhões.

A projeção de ingresso de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2013, a estimativa para a entrada de investimentos estrangeiros continuou igualmente em US$ 60 bilhões.

FOCUS – Mercado baixa projeção para IPCA em 2012.

O Relatório de Mercado – Focus divulgado hoje, 05/11, pelo Banco Central do Brasil, revela que os analistas do mercado financeiro reduziram a sua estimativa para o índice oficial de inflação medido pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Embora seja prematura qualquer comemoração, é importante destacar que o mercado já vinha elevando a sua expectativa em relação ao IPCA a 16 semanas seguidas.

Inflação e juros

A informação divulgada pela autoridade monetária mostra que os economistas dos bancos reduziram de 5,45% para 5,44% a sua projeção para o IPCA. Para o próximo ano, a estimativa do mercado financeiro para o índice de preços do governo permaneceu em 5,40%.

Apesar do recuo do índice balizador das metas de inflação deve-se salientar que mesmo com a queda nas expectativas  para este ano e para 2013, as projeções ainda encontram-se acima do centro da meta de que é de 4,50%.

Os economistas das instituições financeiras continuam estimando que a taxa Selic deverá encerrar o ano no patamar. Para 2013, o mercado financeiro está estimando ligeira elevação na taxa básica de juros. Porem é uma alta ligeiramente menor que a projeção divulgada na semana passada. A estimativa recuou de 7,75% para 7,63% ao ano.

Inflação de curto prazo

Para a inflação de curto prazo medida pelo IPCA os analistas mantiveram inalterada a estimativa para outubro em 0,56%. Entretanto, reduziram a projeção para novembro de 0,52% para 0,51%.

PIB e cambio

Os economistas dos bancos mantiveram em 1,54% a sua projeção para o crescimento da economia brasileira com base no PIB – Produto Interno Bruto. A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia permaneceu em 4,00%.

Já para a produção industrial, os economistas das instituições financeiras projetam novo recuo em 2012, de 2,10% para 2,31%. Para 2013, a estimativa de crescimento da indústria permaneceu em 4,15%.

Os analistas dos bancos  elevaram a sua a projeção para a taxa de câmbio em 2012 de R$ 2,01 para R$ 2,02 por unidade da moeda norte-americana. Para 2013, a expectativa ficou em R$ 2,01.

Balanço de pagamentos e IED

A estimativa dos mercado financeiro para o saldo positivo da balança comercial brasileira  em 2012 recuou de US$ 18,45 bilhões para US$ 18,20 bilhões. Para 2013, a projeção do mercado para o saldo da balança comercial brasileira permaneceu em US$ 15 bilhões.

Em relação ao ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em  2012, os economistas dos bancos elevaram a sua estimativa de US$ 59,6 bilhões para US$ 60 bilhões. Para 2013, a projeção para a entrada de investimentos estrangeiros ficou  em US$ 60, mesma estimativa da semana passada.

A previdência privada e o oportunismo legislativo

Por Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.

Segundo recentes notícias da imprensa especializada, o governo planeja alterar determinadas regras de investimentos das entidades de previdência privada. Sobre o tema, convém destacar, inicialmente, que o Brasil passa por um progressivo processo de alteração do paradigma previdenciário nacional. Objetivamente, o governo — antevendo o estouro do rojão — está procurando limitar a responsabilidade da previdência pública, fazendo da previdência complementar (aberta e fechada) a alternativa viável para aqueles trabalhadores que almejarem uma aposentadoria de maior calibre pecuniário. No papel, tudo está muito bonitinho; resta saber se, na prática, a teoria irá funcionar.

Pois bem. Não há dúvida de que precisamos debater, urgentemente, a questão previdenciária. A urgência do debate decorre do perfil demográfico da população brasileira, no qual se destacam duas variáveis fundamentais: queda da natalidade infantil e aumento da longevidade de vida. Tais características poderão ter efeito explosivo na esfera previdenciária, pois significam que, no longo da curva, as contribuições dos trabalhadores irão diminuir, enquanto que, na outra ponta, haverá substancial incremento dos benefícios de previdência. E, se o déficit de hoje já é assustador, nos dias vindouros a situação tenderá ao insuportável.

Nesse contexto, é perfeitamente compreensível a estratégia do governo em estimular o mercado de previdência privada. Agora, o estímulo deve ser acertado, pois, do contrário, ao invés de avanço, teremos um autêntico retrocesso de proteção social. Logo, antes de palavras vazias, precisamos de uma efetiva política pública de incentivo e a apoio às entidades de seguro previdenciário. Ocorre que, quando falamos de “política pública”, estamos nos referindo a um projeto nacional livre de populismo, demagogia e interesse do governo.

Aliás, nos termos do artigo 3º da Lei Complementar 109/2001, a ação do Estado será exercida com o objetivo de “formular a política de previdência complementar” (inciso I) e “proteger os interesses dos participantes e assistidos dos planos de benefícios” (inciso VI). Ou seja, por força do inarredável interesse social que permeia as relações previdenciárias, é função do Estado evitar que o mercado de previdência privada se transforme em uma venda de ilusões, no qual o beneficiário, desavisadamente, veste um nariz de palhaço para receber uma aposentadoria minguada e distante das festivas promessas de renda fácil ao tempo da pactuação.

Ora, é sabido que, para honrar suas obrigações futuras, os fundos de pensão e as entidades abertas de previdência devem, a partir de fundamentado cálculo atuarial, obter uma dada média de rentabilidade anual com vistas a formar o patrimônio garantidor dos benefícios contratados. Dentre as diversas aplicações possíveis, muitas entidades — como forma de minorar os riscos de investimentos — alocam grande parte de seus ativos em títulos vinculados à remuneração da Selic, especialmente Certificados de Depósito Interbancário (CDI).

O governo, todavia, sob a alegação de estar preocupado com a forte indexação do mercado ao CDI, planeja limitar as aplicações financeiras vinculadas à taxa Selic. Tal medida, além de possuir potenciais traços de inconstitucionalidade, forçará uma adaptação do portfólio de investimentos das entidades previdenciárias que, obrigatoriamente, terão que recorrer a aplicações de maior risco. E maior risco, dentro de padrões realistas de gestão, significa maiores possibilidades de perdas. Portanto, muita cautela com os meigos discursos que querem vender latão por ouro…

Quanto à inconstitucionalidade, imperativo lembrar que o artigo 202 da Constituição Federal determina que o regime de previdência privada deve ser baseado “na constituição de reservas que garantam o benefício contratado”. Consequentemente, se a regra constitucional determinou que as reservas devem garantir o benefício contratado, é porque todo e qualquer garrote sobre os beneficiários/segurados representará objetiva e direta materialização do supremo dos vícios de ilegalidade.

Nesse contexto, o governo deve tomar muito cuidado na hora de mexer nas regras de investimentos previdenciários. E tem que tomar cuidado para que, na ânsia de resolver seus problemas de política monetária, não venha a criar um gigantesco passivo judicial. Falando nisso, é bom ressaltar aos doutos do Planalto que o artigo 9º, parágrafo 2º, da Lei Complementar 109/2001 expressamente veda o “estabelecimento de aplicações compulsórias ou limites mínimos de aplicação”. A razão de ser dessa norma é, justamente, evitar que interesses políticos de ocasião venham a governar a estratégia de investimentos das entidades de previdência privada.

Agora, longe de mim — bem longe — querer dizer que o governo está fazendo isso para usar politicamente os bilionários recursos dos fundos de pensão e entidades abertas de previdência privada. Acredito, sinceramente, que os atuais inquilinos do poder não cometeriam tal temeridade contra a necessária higidez jurídica e financeira que deve presidir as relações de previdência complementar.

Em tempo, é oportuno lembrar que a famigerada “CPI dos Correios” já havia apontado supostos fatos nada lisonjeiros quanto à gestão dos fundos de pensão. Assim sendo, é de esperar que o sistema tenha pedagogicamente criado mecanismos de proteção contra as investidas oportunistas das políticas do momento. Aqui, aliás, reside grande parte dos problemas jurídicos brasileiros: nossas leis são feitas para atender os “interesses do governo”, quando deveriam ser feitas para satisfazer os “interesses da nação”.

Nessa confusão de interesses, é bem possível que, no final, a conta caia no colo do beneficiário que, após muito sonhar com uma aposentadoria digna, verá apenas cores de ilusão. O resto da história é conhecida de todos: litígios em cascata de cidadãos injustamente prejudicados. Teremos que ver o futuro repetir o passado? Ou será que está na hora de pensarmos um sistema previdenciário sério, livre de demagogias e dos interesses volúveis de maiorias parlamentares eventuais?

Fonte: Revista Consultor Jurídico

Panorama outubro

A indicação da autoridade monetária de que a taxa de juros seria reduzida para 7,25% ao ano na reunião do Copom – Comitê de Politica Monetária e com a ratificação anunciada ao final da reunião ocorrida em 10 de outubro, fez com que a maior parte dos agentes econômicos promovesse um reposicionamento nas operações de curto prazo, contudo não foi suficiente para reduzir as incertezas que vem caracterizando o segmento de renda fixa. Com a sinalização do fim da flexibilização da politica monetária, com o término da redução da taxa básica de juros e a manutenção no atual patamar para os próximos meses, o mercado foi afetado por variáveis como os desdobramentos da crise financeira internacional, e por aqui a pressão nos índices de inflação e ainda o empenho do governo em diminuir as exposições em títulos e ativos atrelados a taxas de um dia, como por exemplo, a taxa DI.

A pressão sobre os índices de inflação, notadamente a partir do mês de julho, foi em grande parte motivada pela quebra da safra de grãos norte-americana e seus reflexos nos preços dos produtos agrícolas. Embora não possamos descartar os riscos de uma pressão inflacionária mais relevante, o mercado parece acreditar que a pressão sobre os preços está próxima do fim. O Banco Central não vê mais a inflação convergindo para o centro da meta neste ano, motivo pelo qual se reduziu o espaço para nova redução da taxa Selic no curto prazo.

A valorização das carteiras de títulos públicos de longo prazo mostrou força a partir da segunda metade do mês de setembro, principalmente pela percepção do mercado em relação a um taxa real de juros menor, até então implícita nos títulos mais longos, mostrando prêmios expressivos nas taxas prefixadas mais longas.

Outro fato que colaborou para a valorização expressiva do IMA no mês, principalmente a parte mais longa da curva, foi a divulgação de que o governo pretende induzir a redução de exposição dos investimentos dos fundos de pensão abertos a taxa de juros de curtíssimo prazo (Selic/DI).

O crescimento dos retornos mensais das carteiras prefixadas com prazo maior que um ano, observada pela diferença da evolução do IRFM 1+ em relação a taxa DI, divulgada pela Cetip, delineia a necessidade dos investidores em procurar alternativas de melhor rentabilidade. O fechamento das taxas, motivada pela menor valorização da carteira prefixada sugere que as incertezas provocadas pelo final do processo de flexibilização da politica monetária (queda de juros), têm provocado oscilação nas taxas dos títulos de maior duração e trazido estas taxas para próximo das taxas de curto prazo.

O mês de outubro refletiu este cenário indicando uma expressiva rentabilidade dos títulos atrelados a NTN-B especialmente a ponta mais longa da curva de juros, com retorno de 5,27%. Na média a NTN-B mostrou retorno no mês de 3,80%.  Na sequencia, aparece o IMA Geral e o IMA-C com retornos parecidos, 2,18%. O IRF-M aparece na terceira colocação, com rentabilidade de 1,65%, com destaque para o IRF-M 1 + com rentabilidade 2,07%.

O CDI – Certificado de Depósito Interbancário, benchmark do segmento de renda fixa, aparece com retorno de 0,61%, pouco abaixo do IRF-M 1 que rendeu 0,69% no mês de outubro. No mês em que a inflação, medida pelo IGP-M traz alivio para o mercado, estabilidade no dólar e mercado acionário passando por correção, a renda fixa foi o destaque do mês, sobretudo as carteiras atreladas ao IMA e seus subindices.

Neste panorama, o investidor tem buscado proteção (hedge) e rentabilidade em papeis atrelados a variação do IPCA (NTN-B), que mostra no ano a expressiva rentabilidade de 30,98% na ponta mais longa da curva, o IMA B 5+. Na parte mais curta da curva de juros, o IMA B 5 o retorno ficou em 14,23%. Na média, o IMA B mostra retorno de 23,64% no ano.

A perspectiva para a renda fixa ainda é incerta. Pelo resultado apresentado no Relatório de Mercado – Focus, divulgado na última semana de outubro, a taxa básica de juros deve voltar a ser elevada em 2013. Para os analistas das instituições financeiras pesquisados pela autoridade monetária, a taxa básica de juros deverá subir de 7,25% ao ano (menor patamar histórico da taxa de juros) para 7,75% ao ano. O mercado financeiro também projeta queda no índice oficial de inflação do governo medido pelo IPCA – Índice de Preço ao Consumidor Amplo, que deverá encerrar 2013 em 5,40%.

Ouro e câmbio

Após figurar no topo do ranking dos investimentos nos meses de agosto e setembro, o ouro em outubro recuou 2,84%.

No mercado cambial, o dólar medido pela Ptax fechou o mês em leve alta de 0,03%. A moeda norte-americana caminha para fechar próxima a estimativa do mercado, pois tem mostrado pouca oscilação ao longo dos últimos meses do ano.

Ibovespa

O Ibovespa cessou em outubro uma trajetória de alta iniciada no mês de julho.  O principal motivo para o recuo do índice da bolsa paulista, foi a pressão vendedora observada nos mercados internacionais, o que contribuiu para a saída de capital estrangeiro do mercado de ações brasileiro. Informações obtidas junto ao Banco Central revelam que o fluxo na bolsa ficou negativo em US$ 748 milhões. Cabe destacar que os dados foram computados até o dia 26/10.

O principal motivo apontado para a queda no preço das ações no mercado brasileiro foi à preocupação com o agravamento da crise na zona do euro e à expectativa em relação ao desfecho da eleição presidencial nos Estados Unidos, sobretudo relacionados aos rumos da economia do país. O principal índice da bolsa fechou o mês em baixa de 3,56% aos 57.683 pontos. No ano, o Ibovespa acumula alta de 0,55%.

Perspectiva

Novembro promete ser um mês de cautela e sem tendência definida para o mercado de ações, bem como para a renda fixa, com investidores monitorando a eleição presidencial nos Estados Unidos e à espera de avanços no combate à crise europeia.

O mercado financeiro ainda continua com as atenções voltadas e a espera do resultado das eleições norte-americanas e observando o fiscal cliff[1]. A crise na zona do euro ainda é o centro das atenções, e investidores monitoram também a situação da China em razão do crescimento econômico mais fraco em 2012.

Somadas as variáveis externas ruins, temos por aqui as recentes intervenções do governo brasileiro em setores como o bancário e o elétrico que contribuíram para um cenário incerto para o mercado de ações brasileiro.

Com isso o Ibovespa deve andar de lado, pois as principais ações que compõem o índice são diretamente afetadas pela fraca demanda do mercado internacional especialmente por commodities minerais (petróleo e minério).

Entretanto, há vida na bolsa fora do Ibovespa. As empresas voltadas para o consumo doméstico devem manter a apreciação no preço de suas ações no curto prazo, tendo em vista as condições macroeconômicas internas pautadas pela redução do juro, expansão do crédito, baixo índice de desemprego e aumento da renda real do trabalhador.

Assim, os olhos dos investidores voltam-se para os índices do mercado de ações que capturam o resultado dessas empresas, tais como os índices small cap (SMLL), dividendos (IDIV) e consumo (ICON).

Para o segmento de renda fixa a sinalização do fim do ciclo de cortes na taxa Selic e o recuo da inflação provocaram uma valorização considerável, sobretudo, nos títulos pré-fixados e indexados a índice de preços.

A dúvida é: será que o ajuste na curva de juros chegou ao fim?

Acreditamos que sim. E caso isto se confirme, as expressivas valorizações do IMA B não devem se repetir no curto prazo, podendo em alguns momentos apresentar rentabilidades negativas.

Façam suas apostas!


[1] O “fiscal cliff“, ou abismo fiscal dos Estados Unidos, pode ocorrer caso republicanos e democratas não entrem em acordo para evitar uma série de cortes automáticos de gastos e aumento de impostos no início de 2013. Somadas, as alterações fiscais podem jogar a economia norte-americana em uma recessão sem precedentes.