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Consultoria em Investimentos

setembro 5th, 2011

Mercado eleva projeção para a inflação em 2011 e 2012.

O relatório de mercado – Focus – divulgado hoje, 05/09,  pelo Banco Central mostra que na avaliação dos economistas do mercado financeiro a tendência da inflação para 2011 e 2012 é de alta. Ao contrario a estimativa para o crescimento da economia medido pelo PIB – Produto Interno Bruto é de queda tanto para 2011 como para 2012.

Inflação

Os dados divulgado através boletim Focus, que é resultado de pesquisa realizada pela autoridade monetária junto a 100 instituições financeiras, mostra que o mercado financeiro espera que o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de 2011 suba de 6,31% para 6,38%. A projeção para o IPCA de 2012, subiu de 5,20% para 5,32%.

Divergência

A avaliação dos analistas do mercado financeiro não está alinhada a do Banco Central. Na semana passada, o Copom – Comitê de Politica Monetária  reduziu  a taxa básica de juros da economia de 12,50% para 12,00% ao ano. No entender da autoridade monetária, o cenário internacional, com a nova fase da crise financeira, mostra “viés desinflacionário” no horizonte relevante.

Taxa de juros e cambio

Em relação à taxa de juros, os economistas do mercado financeiro começaram a ajustar para baixo suas projeções após ter estimado a manutenção dos juros na semana passada, quando o Copom baixou os juros.

Para 2011, na visão dos analistas do mercado financeiro a taxa básica caiu de 12,50% para 12,38% ao ano e, para 2012, recuou de 12,38% para 11,88% ao ano.

A estimativa do mercado financeiro para a taxa de câmbio em 2011 permaneceu estável em R$ 1,60 por dólar. Para  2012, a projeção dos analistas do mercado financeiro para a taxa de câmbio ficou em R$ 1,65 por dólar.

PIB

Nesta edição do Focus os economistas do mercado financeiro reduziram a sua estimativa para o crescimento econômico medido pelo PIB – Produto Interno Bruto em 2011 de 3,79% para 3,67%. Com esta é a quinta semana seguida que a projeção para o crescimento da economia é reduzida.

As reduções na projeção co crescimento econômico foram iniciadas após a piora do cenário da crise financeira internacional, com a revisão para baixo da classificação de risco dos Estados Unidos pela Standard & Poors. Para 2012, a estimativa do mercado para o crescimento da economia brasileira caiu de 3,90% para 3,84%.

Balanço de pagamentos e IED

Os analistas do mercado financeiro estimam elevação do superávit  para o saldo da balança comercial brasileira para 2011. O saldo da balança comercial é o saldo de exportações menos importações. Na avaliação do mercado o saldo da balança comercial deve subir de US$ 22,9 bilhões para US$ 23 bilhões.

Já para 2012, o relatório Focus divulgado hoje, mostra que a expectativa dos analistas do mercado para o saldo da balança comercial foi reduzida de superávit de US$ 12,10 bilhões para US$ 11,6 bilhões.

Em relação ao IED – Investimentos Estrangeiros Diretos, a projeção do mercado para a entrada de recursos em 2011 permaneceu estável em US$ 55 bilhões. Para 2012, a estimativa de entrada de investimentos no Brasil ficou em US$ 50 bilhões.

Dividas em dólar, vantagens ou risco?

As empresas brasileiras estão identificando oportunidades em buscar financiamento no mercado internacional. As taxas de juros oferecidas no mercado externo tornam o endividamento atrativo, outro fator que incentiva esta modalidade de financiamento está relacionada com o câmbio. Mas será que este endividamento realmente é uma grande oportunidade?

Observando os Juros reais de algumas economias, logo nota-se que o endividamento externo é uma modalidade muito vantajosa. As empresas brasileiras estão buscando financiar-se em países da Europa, China e Estados Unidos, como é o caso da Vale do Rio Doce que captou US$ 3 bilhões em um consorcio de 27 bancos no exterior.

Entretanto, todo cuidado é pouco! Os juros, momentaneamente podem ser vantajosos, mas a avaliação destas operações devem ser criteriosas, pois embutem um risco muito grande. Risco este que está relacionado a oscilação cambial.  Taxa de câmbio relaciona-se diretamente com a oferta e demanda por investimentos financeiros e produtivos das economias, atualmente o Brasil possui grandes oportunidades de investimentos, assim investidores do mundo inteiro buscam aplicar seus recursos neste país, formando uma pressão nas moedas.

Um grande exemplo de investimento é na própria taxa de juros, investidores do mundo inteiro buscam investir nas taxas de juros do Brasil, pois é uma das taxas mais altas do mundo, logo, torna o país extremamente atrativo. Estes investidores compram títulos públicos, que são considerados como o menor risco de crédito da economia brasileira e, possuem boa remuneração. Mas ai vem uma questão fundamental, os juros da economia brasileira iniciaram uma tendência de baixa, o que acontecerá com o câmbio?

Bom, se a taxa de juros brasileira iniciar uma trajetória de baixa, o fator risco retorno pode fazer com que os investidores identifiquem outras oportunidades de investimentos, formando uma fuga de capital externo do Brasil. Isso impulsionará o processo de valorização das demais moedas em relação ao real, aumentando expressivamente a dívida das empresas que mantêm endividamento fora do país.

Logo, o cuidado nunca é demais, vale um alerta para as empresas! Fiquem de olho na oscilação do câmbio. Empresas como a Braskem, possui um terço de sua dívida de US$ 9,6 bilhões em bancos internacionais, a Petrobras possui cerca de 10 bilhões de dólares em dívidas com a China. O risco é eminente, vamos lembrar do “dinheiro fácil” considerado pela Sadia em 2008 em operações de swap e também da antiga VCP – Votorantim Papel e Celulose, estas obtiveram enormes prejuízos quando o dólar inverteu sua trajetória de queda.

Autor: Tiago Luz Boeira