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Consultoria em Investimentos

setembro 1st, 2011

Copom surpreende o mercado e baixa juros para 12% ao ano.

Os desdobramentos da crise financeira que afeta os países considerados desenvolvidos e as pressões políticas, levaram o Copom Comitê de Política Monetária do Banco Central, colegiado formado por seus diretores e presidente Alexandre Tombini, ousar e optar por baixar a Taxa Selic Meta de 12,50% para 12% ao ano.

Esta é a primeira redução efetiva desde julho de 2009. O colegiado do Banco Central iniciou o movimento de elevação dos juros básicos da economia em janeiro deste ano. Foram cinco reuniões consecutivas de elevação. Em dezembro de 2010, a taxa Selic era em 10,75% ao ano. Mesmo com o corte da taxa de juros anunciada no inicio da noite desta quarta-feira, 31/08, a alta acumulada neste ano é de 1,25 ponto percentual.

A decisão da autoridade monetária em baixar os juros pegou o mercado financeiro de surpresa, pois, a expectativa dos agentes do mercado divulgada expressa no relatório de mercado, Focus, pesquisa realizada semanalmente pelo Banco Central, era de que juros seriam mantidos nesta reunião e provavelmente reduzidos na próxima. Tomando por base a curva de juros futuros, que representa a expectativa das instituições financeiras, entretanto, parte dos analistas dos bancos já trabalhava com a possibilidade de juros nesta reunião.

Explicação
Ao término da reunião, o Copom divulgou nota com um longo esclarecimento para sua decisão.

“O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 12,00% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 12,50% a.a. Reavaliando o cenário internacional, o Copom considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que aumentaram as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.

Para o Copom, a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira pode se materializar por intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e piora no sentimento de consumidores e empresários. O Comitê entende que a complexidade que cerca o ambiente internacional contribuirá para intensificar e acelerar o processo em curso de moderação da

atividade doméstica, que já se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira. Dessa forma, no horizonte relevante, o balanço de riscos para a inflação se torna mais favorável. A propósito, também aponta nessa direção a revisão do cenário para a política fiscal.

Nesse contexto, o Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.  O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do ambiente macroeconômico e os desdobramentos do cenário internacional para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.”

Sistema de metas para a inflação
Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Na última semana, os economistas do mercado financeiro mantiveram sua previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2011 em 6,31%, informou o Banco Central. Para 2012, por sua vez, a previsão dos economistas dos bancos para o IPCA permaneceu estável em 5,20%. O BC já informou que busca a convergência da inflação para a meta central de 4,5% somente em 2012.

Juros reais

Mesmo com a taxa básica de juros em 12% ao ano,  a taxa real de juros no Brasil, deduzida a inflação do período, ficou em cerca de 6,3% ao ano. Para se ter uma ideia de como a taxa de juros é elevada, a taxa real do segundo do segundo colocado,  a Hungria é de 2,8% ao ano. Juros altos tendem a atrair capital estrangeiro ara a economia brasileira, já que a taxa média nos 40 países pesquisados está negativa em 0,8%. Com a entrada de capital em busca retorno a cotação do dólar é  pressionada para baixo.

Economia em desaceleração

A surpreendente decisão do Copom em reduzir a taxa de juros ocorre em meio a um cenário de desaceleração da economia, que tende a contribuir com a redução do índice de inflação. Na opinião presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, a crise internacional favorece o controle da inflação no Brasil, uma vez que avilia uma “pressão adicional” sobre os preços dos alimentos.

Em que pese o otimismo do presidente do Banco Central, alguns analistas do mercado financeiro ponderam que ainda é preciso “cautela” quanto à inflação. A inflação ainda é preocupante. Não dá nem para chamar de crise. É uma turbulência externa. Não provocou efeitos  na economia brasileira. A inflação esta acima do teto da meta, mais que 7% nos últimos doze meses. Apesar da desaceleração no setor industrial, o mercado de trabalho permanece forte. Há dados de que reajustes salariais e serviços continuam a pressionar a inflação.

Na avaliação do mercado havia uma sinalização de uma política fiscal mais rígida, ou seja, um controle maior das contas públicas, com aumento do superávit primário para os próximos anos. Entretanto, até o momento, não houve essa sinalização. E o país  está encarando ainda inflação muito forte. Ainda há pressão dos preços dos alimentos e o risco de algum choque de preço do álcool até o fim de 2011. Estes fatores em conjunto podem adiar os planos do Banco Central de reduzir os juros.

O governo precisa tomar medidas em relação ao superávit primário. Em comunicado, contudo, ponderou que o mercado financeiro demonstra “forte resistência” à probabilidade de corte nos juros, já que juros altos se contribuem em maiores lucros para os bancos. Há uma certa pressão em relação queda da inflação, ignorando completamente os efeitos venenosos de uma crise internacional que pode se agravar, e, que pode prejudicar vários setores da economia brasileira.

Superávit primário e pressões políticas

O corte nos juros vem após o governo anunciar um corte extra de R$ 10 bilhões nos gastos públicos em 2011, recursos que foram direcionados para o chamado “superávit primário”, economia feita para pagar juros da dívida pública, com a finalidade de permitir a redução dos juros.

O corte dos juros após a presidente Dilma Rousseff declarar publicamente que gostaria de ver, mesmo sem citar o momento, os juros em queda, bem como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, além de empresários e centrais sindicais.

PANORAMA – AGOSTO / 2011

Ouro tem melhor retorno no mês e bolsa mais uma vez fica na lanterna dos investimentos

As turbulências de agosto nos mercados financeiros provocaram um efeito que os investidores chamam de “fuga para qualidade” o que provoca saída de recursos das Bolsas de Valores em direção de ativos considerados menos arriscados como o ouro. Na BM&F, as cotações da commodity valorizaram 7,9% no mês, constituindo-se com folga como o investimento que mais valorizou no período.

IMA

Na segunda colocação no ranking dos investimentos aparece o IMA – Índice de Mercado ANBIMA e seus subíndices, que apresentaram expressiva valorização no mês de agosto.

A explicação é simples, no inicio de agosto o mercado financeiro passou a projetar índice de inflação e taxa de juros menores, isso abriu espaço para a forte valorização do IMA, uma vez que o índice vinha pressionado desde o inicio do ano por conta da expectativa de inflação fora do centro da meta e consequente elevação dos juros pela autoridade monetária.

No mês o IRF-M subiu 3,22%, o IMA-B 5,43%, o IMA-S 1,07% e finalmente o IMA –Geral subiu 2,99%.

Bolsa

Mesmo apesar do quarto pregão seguido de alta, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo terminou o mês de agosto em baixa de 3,96%.

Agosto foi o mês de maior volatilidade desde a crise que se abateu sobre o mercado em 2008. No período mais critico do mês, dias após o rebaixamento da classificação de risco da dívida dos Estados Unidos, o Ibovespa chegou a cair dos 49 mil pontos. No ano, índice da bolsa paulista acumula queda de 18,48%.

Para o mês de setembro, o mercado permanece cauteloso, mas investidores acreditam que o mercado apresente menor volatilidade, o que favoreceria uma recuperação das ações.

A expectativa para esses últimos quatro meses do ano são um pouco melhores. Os dados factuais e os dados de expectativa, como sentimento econômico e sentimento do consumidor, no meu modo de ver, já chegaram ao fundo do poço.

Entretanto, o foco de atenção do mercado vai estar voltado para os dados econômicos nos Estados Unidos, sobre indústria e emprego, para confirmar ou não a expectativa de uma recessão na maior economia global.

Em uma esfera menos restrita, os investidores ainda conseguem encontrar opções menos voláteis no segmento de renda fixa. A rentabilidade média dos CDBs foi de 1,07% em agosto, superando a inflação de 0,44% medida pelo IGP-M no período.

Até mesmo a poupança, com um retorno de 0,71%, proporcionou alguma tranquilidade para os aplicadores neste mês.

Os preços do dólar mostrando valorização de 2,5% em agosto, fato raro neste ano.

O cenário externo preocupa, mas também há alguns indícios positivos nos EUA e na Europa. O banco central americano sinalizou novas medidas para ajudar a recuperação da economia –o que ainda precisa se confirmar– e na Europa, há esboços de uma solução conjunta para a crise das dívidas soberanas — o que também precisa virar realidade.