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Consultoria em Investimentos

março 3rd, 2011

Dando prosseguimento ao ciclo de aperto monetário, Copom eleva Selic para 11,75% ao ano

O COPOM – Comitê de Política Monetária resolveu,  hoje 02/03, elevar a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual para 11,75% ao ano. Desta forma, manteve o clico de aperto monetário com a alta do juro básico da economia que foi iniciado na primeira reunião do comitê realizada em janeiro deste ano, quando a taxa foi elevada em 0,50 ponto porcentual. Esta é à segunda reunião do comitê sob o comando de Alexandre Tombini presidente da autoridade monetária.

Ao fixar a Selic em 11,75% ao ano, O COPOM fixou a taxa básica da economia no patamar mais elevado desde janeiro de 2009, quando a Selic era de 12,75% ao ano. Logo, é o maior valor para a taxa de juros em mais de dois anos. A expectativa do mercado financeiro, divulgada no Relatório de Mercado – FOCUS desta semana é de novas elevações na taxa básica de juros em 2011. Os analistas de mercado projetam que a taxa encerre 2011 em 12,50% ao ano.

Ao final do segundo dia da reunião do COPOM, a autoridade monetária a seguinte nota: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés”.

Cenário
No intervalo entre as duas reuniões do COPOM ocorridas neste ano o preço das principais “commodities”, produtos básicos com cotação internacional, como aço, alimentos e petróleo, continuaram a apresentar elevação, aumentando a probabilidade de repasse para os preços internos. Nos últimos seis meses, os preços das “commodities” subiram mais de 30% e, nos últimos 40 dias, perto de 7%.

Da mesma maneira como vem acontecendo em outros países, as altas das commodities, e principalmente do petróleo, potencializaram os riscos inflacionários. Em relação ao Brasil, as expectativas de inflação para 2011 já estão muito próximas do limite superior do intervalo da meta que é de 6,5% ao ano.

O governo ainda delineou, nesta semana, o corte divulgado de R$ 50 bilhões no orçamento federal deste ano. Com esse corte, as despesas, que cresceram 9,4% em 2010, em termos reais, devem crescer 3,2% em 2011. Um crescimento menor já satisfaz. Sem o corte dos gastos, a autoridade monetária teria de elevar ainda mais os juros em 2011. Os analistas do mercado financeiro estimam que deva haver mais um aumento na taxa Selic em 2011, para 12,25% ao ano em abril.

A inflação do setor de serviços também é preocupante. Ela está atrelada à situação do mercado de trabalho, que ainda se apresenta bastante aquecida. Mas as medidas tomadas pelo Banco Central, elevação do depósito compulsório e da taxa básica de juros, estão surtindo efeito intenso sobre o crédito, que vai terminar se refletindo no mercado de trabalho. Vai desacelerar fortemente e depois os preços dos serviços vão começar a recuar.