A forte volatilidade observada nos mercados no ano de 2010 e da pujança da economia brasileira – que trouxe consigo inflação e valorização do real – foram os fatores responsáveis por colocar o ouro isolado na posição de melhor investimento do ano, com rendimentos nominais de 32,26%. Na segunda posição de rentabilidade no ranking, ficou com os CDBs pré-fixados, com alta de 9,91% – logo, menos de um terço dos ganhos apresentados pela commodity.
O ouro apresentou as maiores rentabilidades em cinco meses de 2010, estimulado principalmente pelo sentimento de aversão ao risco gerada pela conjuntura da economia global e expectativas não tão positivas para uma recuperação mais sólida nos países desenvolvidos. Cabe ressaltar que desde 2002, as cotações do ouro apresentam valorização de mais ou menos 245%.
Cabe ressaltar, que para alguns analistas, o ouro pode prosseguir como uma boa opção para 2011. É o que acreditam os analistas dos bancos Goldman Sachs e o UBS. Para eles, as pressões inflacionárias e cambiais continuarão trazendo dificuldades para os emergentes em 2011 – o que, conjugado com uma rentabilidade não tão atrativo apresentada pelo mercado de renda fixa das principais economias, deve estimular a demanda pelo ouro e puxar suas cotações a novas máximas históricas.
Ibovespa
Em relação à renda variável, 2010 encerra com o Ibovespa aquém dos 70 mil pontos, bem abaixo das expectativas para o ano. Em que pese os ganhos de mais de 82% em 2009, as estimativas eram muito otimistas para a bolsa no final de 2010.
No entanto, a boa performance da economia brasileira não foi suficiente para assegurar uma alta sólida no Ibovespa, que até ensaiou se aproximar de sua máxima histórica, mas terminou o ano com uma tímida valorização de 1,04% – cabe destacar que desde 1995 o Ibovespa não encerrava um ano com uma variação, positiva ou negativa, de apenas um dígito. Neste ano, vale lembrar que, o índice rentabilidade negativa de desvalorização de 1,26%. Desde então, a valorização do índice é de 1.512%.
Colaborou para esse comportamento bem aquém das expectativas, a pressão exercida pelas ações da Petrobras, PETR3, PETR4. A maior capitalização da história derruiu o preço das ações da estatal em vários períodos no ano, em meio a incertezas do processo, questionamentos sobre a governança devido à ingerência do governo nas deliberações, o período de subscrição e grandes movimentos de cortes de preço-alvo e recomendações após o encerramento da operação. Com isso, suas ações ON e PN – que juntos representam 12,22% do Ibovespa – encerraram o ano com queda acumulada de 24,33% e 22,97%, respectivamente. Além disso, no cenário corporativo, a recuperação não veio como esperada para o setor siderúrgico que também pressionou o Ibovespa.
Na esfera macroeconômica, a incerteza lá fora também não contribuiu com os ganhos do índice. Nos EUA, o cenário trouxe uma recuperação mais lenta do que a aguardava, refreada pelos mercados imobiliários e de trabalho, o presidente encontrando grande oposição para governar e ao invés da estratégia de saída que se idealizava um novo pacote de ajuda.
Na Zona do Euro, a crise fiscal que se iniciou na Grécia atualmente já contamina economias maiores, como Portugal e Espanha – um dilúvio de revisões negativas de ratings e cortes de orçamento conservaram a Europa no foco dos mercados no ano. Os pacotes de resgate negociados pelo FMI – Fundo Monetário Internacional e União Européia pouco contribuíram para acalmar os ânimos.
Na China as pressões inflacionárias deram início a ações do governo para desacelerar a economia, mostrando receios de que a economia que mais cresce no mundo perca o folego, ocasionando, por exemplo, uma queda na demanda por commodities.
Desta forma, o mercado fechou os olhos para o bom desempenho da economia doméstica, que deve encerrar o ano com crescimento de 8% do PIB – Produto Interno Bruto, segundo as últimas estimativas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou 7,6%, de acordo com o mercado. As eleições presidenciais também não trouxeram maiores choques ou surpresas: Dilma Rousseff é a sucessora de Lula na presidencia do País, e Guido Mantega prossegue no comando do Ministério da Fazenda.
Apesar das incertezas em relaçãoa economia global, cabe ressaltar que os indicadores norte-americanos e europeus – salvo exceções – marcham para um encerramento bem mais positivo do que o anotado pelo Ibovespa, apontando o peso do mau desempenho de algumas companhias de commodities no índice.
Outros Indicadores
Observando o retorno real, ou seja, descontando o IGP-M – Índice Geral de Preços – Mercados, que surpreendentemente registrou elevação de 11,32% no ano, apenas o ouro, dentre os principais investimento, apresentou retorno real positivo em 2010.
As aplicações em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 9,91% no ano, acima do CDI, 9,58%. A caderneta de poupança, apresentou retorno nominal de 6,22% em 2010.
O dólar seguido pela variação da Ptax, por sua vez, registrou rentabilidade nominal negativa de 4,31% no período, o pior retorno apresentado do ano. O dólar comercial, fechou o ano com desvalorização de 4,32%.
Os analistas do mercado financeiro mais uma vez elevaram a estimativa da inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, para o acumulado nos anos de 2010 e 2011, as informações constam do relatório de mercado Focus, divulgada hoje, 27/12, pelo Banco Central A projeção para a inflação em 2010 foi elevada de 5,88% para 5,90%, em um nível ainda mais afastado do centro da meta de inflação, que é de 4,50%. A expectativa para a evolução do IPCA em 2011 subiu de 5,29% para 5,31%, da mesma forma, o centro da meta de inflação para o próximo ano também é de 4,50%. A inflação medida pelo IPCA pode variar de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Para o IPC-Fipe, a expectativa para 2010 foi elevada de 6,37% para 6,38%, assim como a projeção para 2011, que foi ampliada de 4,78% para 4,88%.
Em dezembro, o IPCA deve registrar 0,62% de avanço e o IGP-M, 0,80%. O IGP-DI deve marcar 0,65%, sem mudança. O IPC-Fipe deve subir 0,55%.
Crescimento econômico
A projeção para o crescimento do PIB- Produto Interno Bruto em 2010, conforme o relatório de mercado Focus, se manteve inalterada em 7,61% e, para 2011, em 4,50%. A expectativa para o crescimento da produção industrial em 2010 estacionou em 10,66%. Para 2011, a projeção para a expansão da indústria caiu de 5,40% para 5,31%.
Juros e cambio
De acordo com o Focus, os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa para a Selic, taxa básica de juros da economia, para o fim de 2011 em 12,25% ao ano. Atualmente a taxa está em 10,75% ao ano.
Para o mercado de câmbio, o mercado financeiro estima que o dólar encerre 2010 em R$ 1,70. Para o fim de 2011, a projeção para a moeda americana continuar a ser de R$ 1,75. A estimativa do câmbio médio ao longo de 2010 permaneceu em R$ 1,76 e do câmbio médio em 2011 ficou em R$ 1,73.
Contas externas
Os analistas do mercado financeiro mantiveram as projeções para o resultado nas contas externas em 2010 e 2011. A estimativa para o saldo em conta corrente neste ano é de déficit de US$ 50 bilhões e para 2011 o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos é estimado em US$ 69,05 bilhões.
A projeção para o superávit comercial em 2010 foi elevado de US$ 16,40 bilhões para US$ 16,63 bilhões. Para 2011, a expectativa para o saldo da balança comercial continuou em US$ 8 bilhões. Os analistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2010, que subiu de US$ 32,00 bilhões para US$ 32,20 bilhões. Para 2011, a projeção recuou de US$ 38,50 bilhões para US$ 38,00 bilhões.
O relatório de mercado – Focus, divulgado hoje, 20/12, mostra que os analistas do mercado financeiro voltaram a subir, a projeção para o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para 2010 e, ao mesmo tempo, para 2011.
Para o IPCA de 2010, a estimativa do mercado foi elevada de 5,85% para 5,88%. Com esta, foi a décima quarta semana consecutiva de aumento da projeção. Do mesmo modo, a estimativa dos economistas para o IPCA de 2011 ascendeu de 5,21% para 5,29%.
Taxa de juros
Com o objetivo de refrear as pressões inflacionárias, o mercado financeiro projetam que o COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central, após a manutenção os juros estáveis em 10,75% ao ano na última reunião de 2010, deverá elevar a taxa básica da economia em janeiro do próximo ano, na primeira reunião do próximo presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini. A expectativa do mercado é de que os juros sejam elevados para 11,25% ao ano em janeiro e que encerrem 2011 em 12,25% ao ano.
PIB
Os economistas do mercado financeiro mantiveram, a sua estimativa para o crescimento do PIB – Produto Interno Bruto de 2010 em 7,61%. Caso se confirme, será o maior crescimento da economia desde 1985, quando marcou 7,85%. Para 2011, a projeção do mercado é que o crescimento da economia brasileira seja de 4,5%.
Taxa de câmbio
Na edição do relatório de mercado Focus desta semana, a expectativa do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 continua a ser R$ 1,70 por dólar. Para o encerramento de 2011, a projeção dos economistas para a taxa de câmbio permaneceu estável em R$ 1,75 por dólar.
Balança comercial
A estimativa do mercado financeiro para o saldo da balança comercial, exportações menos importações, para 2010 subiu de superávit para US$ 16,4 bilhões contra US$ 16,1 bilhões na semana passada.
Para 2011, o relatório Focus mostrou nesta segunda-feira que a projeção dos analistas para o saldo da balança comercial permanece apontando superávit de US$ 8 bilhões.
Em relação aos investimentos estrangeiros diretos, a estimativa do mercado para o ingresso de recursos em 2010 subiu de US$ 30 bilhões para US$ 32 bilhões. Para 2011, a expectativa de entrada de investimentos no Brasil avançou de US$ 38 bilhões para US$ 38,5 bilhões.
A expectativa dos analistas do mercado financeiro é que o COPOM – Comitê de Política Monetária, após manter os juros estáveis em 10,75% ao ano na última reunião de 2010, ocorrida semana passada, deverá aumentar a taxa básica de juros da economia em janeiro de 2011, na primeira reunião sob o comando de Alexandre Tombini, próximo presidente do Banco Central.
Esta informação faz parte do relatório de mercado, Focus, divulgado hoje, 13/12 pela autoridade monetária. O relatório de mercado, Focus, é resultado de pesquisa juntos a 100 instituições financeiras na semana anterior a sua divulgação. A expectativa do mercado financeiro é de que os juros sejam elevados em 0,50% já em janeiro, com isso a taxa básica passaria dos atuais 10,75% para 11,25% ao ano. A projeção é de que a taxa suba para 11,75% ao ano em março e, já em abril, para 12,25% ao ano – patamar que os analistas do mercado estimam para o fechamento da Selic em 2011.
IPCA
Mais uma vez o mercado financeiro elevou, a sua estimativa para o IPCA de 2010, que subiu de 5,78% para 5,85%. Com esta, é a décima terceira semana consecutiva de elevação da projeção. Os economistas consultados pelo Banco Central, também elevaram sua estimativa para o IPCA de 201, que foi de 5,20% para 5,21%. Portanto, ambas as projeções estão acima do centro da meta de 4,5%, porém dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas que é de 2 pontos para cima ou para baixo.
Metas de inflação
A política monetária no Brasil é baseada no sistema de metas de inflação, onde o Banco Central tenta ajustar os juros para cumprir as metas pré-estabelecidas. Tanto para 2010 como 2011, o centro da meta de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Neste momento, o BC já está calibrando os juros pensando em 2011.
PIB
Os analistas do mercado voltaram a elevar, na semana passada, a sua estimativa para o crescimento da economia, que é medida pelo PIB – Produto Interno Bruto. Para 2010 o mercado espera que a economia cresça 7,61% contra 7,54% na semana retrasada Caso se concretize, este será o maior crescimento econômico desde 1985 quando o PIB brasileiro fechou em 7,85%. Para 2011, o mercado projeta crescimento da economia brasileira de 4,5%.
Cambio
O mercado financeiro reduziu a projeção para a taxa de câmbio ao fim de 2010, que caiu de R$ 1,71 para R$ 1,70 por dólar. Para 2011, a estimativa dos analistas para a taxa de câmbio permaneceu estável em R$ 1,75 por dólar.
Balanço de Pagamentos
Os analistas do mercado financeiro esperam ligeiro recuo para o superávit da balança comercial, exportações menos importações em 2010, caindo de US$ 16,24 bilhões para US$ 16,1 bilhões.
Para 2011, os economistas do mercado projetam estabilidade para o saldo da balança comercial que deverá encerar o ano com US$ 8 bilhões de superávit.
Em relação do IED – Investimentos Estrangeiros Diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de recursos para 2010 manteve-se em US$ 30 bilhões. Para 2011, a estimativa de entrada de investimentos no Brasil subiu de US$ 37,5 bilhões para US$ 38 bilhões.