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NOSSA VISÃO – 26/07/2021

RETROSPECTIVA

A volatilidade se fez presente mais uma vez durante a semana. O mercado acionário externo oscilou bastante, mas conseguiu fechar a semana com ganhos, diferentemente do nosso mercado interno, que descolou do resto do mundo e fechou a semana no campo negativo.

Por aqui, alguns pontos contribuíram para esse descolamento do cenário externo, os desgastes políticos que já vem a algumas semanas apresentando alta sensibilidade com o mercado acionário, pesou novamente, além dos dados de preços e a queda do minério de ferro.

No âmbito político, a dança das cadeiras no ministério proposta por Bolsonaro, traz de certa forma, um clima de incerteza para os investidores, que não conseguem desenhar um ambiente estável para assumir mais riscos.

Tivemos na semana, a divulgação do IPCA-15, tratado como prévia da inflação, que veio acima das expectativas de mercado, subindo 0,72%, após um avanço de 0,83% em junho, acumulando 8,59% em 12 meses.

O dado divulgado pelo IBGE, afeta a curva de juros futuro e a bolsa brasileira, diante da perspectiva de aumento de juros para controlar a inflação e da correlação negativa entre taxa de juros e Ibovespa, onde o aumento dos juros tende a diminuir a atratividade do mercado acionário.

Outro fator determinante para a queda do mercado acionário brasileiro é a queda do preço do minério de ferro, que apresentou durante a semana a maior queda semanal nos últimos 17 meses, devido aos esforços do governo chinês que objetiva diminuir a inflação e frear o boom das commodities.

Contudo, apesar da alta volatilidade que os próximos períodos podem apresentar, o preço das commodities apresentam perspectivas favoráveis, de acordo com a reabertura das economias, onde a relação entre oferta e demanda segue sendo o foco dos investidores.

Outro ponto que segue sendo um motivador para os mercados, é em relação a pandemia, onde a variante Delta segue preocupando os governos, colocando em cheque a reabertura de algumas economias.

Na segunda feira, os mercados globais reagiram negativamente a esse fator, derrubando a grande parte dos mercados acionários, entretanto, com a exceção do Brasil, o resto do mundo conseguiu se recuperar durante a semana e finalizou as sessões no campo positivo.

No mercado internacional, os Bancos Centrais que se reuniram na semana, mantiveram as decisões em relação a política monetária inalteradas, enfraquecendo o movimento de aversão ao risco.

Aliado a isso, a agenda de vacinação nos grandes centros segue avançando e possibilitando a reabertura das economias, ainda que no plano de fundo, as discussões em relação a inflação seguem latentes.

Em resumo, o Ibovespa fechou em queda de (1,38%), na contramão do exterior, onde o S&P 500 acumulou ganho de (2,66%), a Nasdaq (2,30%) e o DowJones (1,17%).


RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção subiu mais uma semana, de 6,31% para 6,56% em 2021. Para 2022, a previsão para o IPCA subiu, de 3,75% para 3,80%. Para 2023, as estimativas ficaram em 3,25%. Para 2024, as projeções caíram de 3,06% para 3,0%.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) saiu de 5,27% para a 5,29% em 2021. Para 2022, a estimativa permaneceu em 2,10%. Para 2023 e 2024, as projeções ficaram em 2,50%.

Para a taxa de câmbio, a estimativa ficou em R$5,09 em 2021. Para 2022, o valor ficou em R$ 5,20. Para 2023 e 2024, a projeção ficou em R$5,00.

Para a taxa Selic, os analistas elevaram as estimativas subiram de 6,75% para 7% em 2021. A estimativa ficou em 7,00% em 2022. Em 2023 e 2024 a projeção foi mantida em 6,50%.


PERSPECTIVA

Observaremos durante a semana, a divulgação de indicadores de atividade econômica e a evolução dos índices de preços na economia, além da dança das cadeiras nos ministérios em âmbito nacional.

Além dos pontos relacionados a CPI da Covid, que após algumas sessões polêmicas, tem se mostrado mais uma vez digna de atenção redobrada pelos mercados.

Um ponto de atenção é em relação a crise hídrica que passamos, principalmente devido a sua contribuição para a aceleração da inflação, devido a sazonalidade do período.

As expectativas positivas em relação ao Brasil, passam por um processo de imunização mais eficiente.

Teremos agora que acompanhar as decisões do Bancos Centrais em relação a política monetária, que indica seguir com medidas contracionistas, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas.

Podendo se esperar mais mudanças na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central.

A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido.

Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial e agora com possível produção nacional com a ButantanVac.

A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e o teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado e brusco na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda desenhar um horizonte claro, em razão principalmente de nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 5%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 5%, recomendamos a não movimentação no segmento. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diário – 23/07/2021