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Consultoria em Investimentos

NOSSA VISÃO – 15/06/2020

Retrospectiva

Após uma sequencia de altas expressivas nas últimas semanas, os mercados de risco sofreram pesadas baixas na medida em que foram renovadas as preocupações de uma nova onda de contágios nos países que abriram os mercados e relaxaram as regras de distanciamento social, especialmente na região sul dos EUA, onde nos estados da Flórida, Texas e Califórnia voltaram a apresentar altas recordes de novos casos de contágio pelo “coronavírus”. Nada que não estivesse fora do radar dos investidores, mas acabou sendo o mote para a realização de lucros.

Os dados mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostram uma resistência na curva de novos casos e óbitos, tendo a região sul da Ásia como novo epicentro do contágio, com a Índia somando mais de 10 mil casos diários, atrás apenas do Brasil e EUA. São pouco mais de 7,8 milhões de pessoas infectadas no mundo, que levaram a mais de 432 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 11% no número de contágios e de 7% no número de óbitos em uma semana, indicando manutenção no avanço de contágios e óbitos em relação aos dados de sete dias atrás.

Em relação à preocupação com a recuperação das economias, a semana trouxe uma série de indicadores relevantes e previsões importantes.

Destaque para o encontro do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês). O colegiado reuniu-se nos dias 09 e 10 de junho e decidiu pela manutenção do juro no patamar entre 0% e 0,25% e o prosseguimento do programa de apoio financeiro a economia local. No comunicado pós-reunião, o colegiado disse que as taxas permanecerão nesse nível pelo tempo suficiente para que a economia se recupere, dando a entender que a adoção de juros negativos está fora de propósito. Entretanto, afirmou que usará todas as ferramentas necessárias para atingir o melhor nível de emprego e inflação no centro da meta.

Ainda por lá, foi divulgado pelo Departamento do Trabalho que os novos pedidos de auxílio desemprego caíram para 1,5 milhões na semana encerrada em 06 de junho, ante 1,9 milhões da semana anterior, e afastando-se do recorde de 6,8 milhões de solicitações registradas no final de março, o que mostra uma diminuição das demissões e reforça a visão de que o mercado de trabalho pode ter chegado ao pior momento.

A OCDE, órgão de fomento da economia mundial, estima que a economia mundial encolha -6% neste ano na melhor das hipóteses, ou -7,6% em caso de uma segunda onda de contágios. Para 2021, a organização prevê uma forte recuperação em caso de controle da pandemia, na ordem de 5,2%, ou crescimento de 2,8% num cenário pessimista de disseminação do “coronavírus”.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de perdas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -7,0%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -5,9%, O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -4,8% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, perdeu -2,4%.

Por aqui, destaque para a divulgação do IPCA do mês de maio, que registrou deflação de -0,38%, enquanto um mês atrás o índice recuou -0,31%. No ano, o índice acumula queda de -0,16%. O maior impacto negativo veio do grupo de “Transportes”, cuja queda foi de -1,9%. Os grupos “Vestuário” e “Habitação” também contribuíram para a queda do indicador. Do lado das altas, destaque para os grupos “artigos de residência” e “Alimentação e Bebidas”, que subiram 0,58% e 0,24%, respectivamente.

No campo da política, destaque para a suspensão do julgamento sobre a cassação da chapa Bolsonaro/Mourão após um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, quando o placar apontava 3 votos a 2 a favor da reabertura de investigações policiais em ações que pedem a cassação da chapa.

Para a bolsa brasileira a semana foi de baixa, acompanhando os movimentos das bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com queda de -1,9%, aos 92.795 pontos, acumulando valorização de 6,2% no mês, e desvalorização de -19,8% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,045 para a venda. Na semana, a moeda avançou 1,2% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 25,7%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 0,2%, enquanto no mês a alta é de 1,7% e no ano acumula desvalorização de -2,0%. Em 12 meses a valorização é de 7,4%.

Relatório Focus

certam as previsões, reunidos no chamado “top 5″, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram ajustadas para 2,25% na mediana das coletas, ante 2,13% da estimativa semanal anterior. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,25% na mediana das coletas, ante previsão de 2,75% da semana passada.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira continuam fazendo os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima oitava semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -6,48% para -6,51%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -5,12%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,50%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou que a projeção dos economistas para o câmbio ao final de 2020 foi alterada, de R$ 5,40 da semana passada para R$ 5,20 na estimativa atual. Um mês atrás a projeção era de R$ 5,28. Para 2021, a projeção para o câmbio foi reduzida para R$ 5,00, ante cotação de R$ 5,08 da semana passada. Um mês atrás a projeção para o câmbio era de R$ 5,00.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 60,00 bilhões, mesmo número da semana passada, enquanto que para 2021 a expectativa também foi mantida em US$ 75,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 65,00 bilhões e US$ 76,00 bilhões, respectivamente.

Perspectiva

Os temores com uma segunda onda de infecções pelo “coronavírus” mantêm os mercados de risco em alerta, na medida em que as notícias sobre o aumento de novos casos em países que aparentemente já haviam passado pelo pior momento da pandemia voltam a pesar. Parte dos ganhos recentes foi devolvido na semana passada, e aparentemente esse movimento de queda tende a se fixar com o noticiário negativo ganhando terreno.

Por aqui os mercados seguem contaminados pelo comportamento dos mercados globais, na medida em que a reabertura do comércio e relaxamento do distanciamento social em quase todas as regiões do país segue avançando, e um aumento no número de casos é mais do que esperado pelas autoridades sanitárias, com alguns especialistas prevendo um novo colapso do sistema de saúde em várias regiões.

O número de novos casos e de óbitos no Brasil segue avançando, porém em um ritmo menos intenso. Até agora são mais de 867 mil infectados e 43 mil óbitos, apontando um aumento de 26% nos casos de infectados e 19% nos casos de óbitos em uma semana.

Na agenda da semana, destaque para dois discursos programados pelo presidente do FED, Jerome Powell, no Senado e na Câmara, que poderão revelar mais informações da autoridade monetária, apenas alguns dias depois do FED decidir pela manutenção do juro norte-americano, e fazer previsões nada animadoras sobre a recuperação da economia no curto prazo.  Os bancos centrais do Japão e Reino Unido também têm reuniões agendadas nesta semana, e na pauta estará a política monetária de seus países.

Por aqui, destaque para a reunião do COPOM programada para os dias 16 e 17 de junho. Apesar das apostas majoritárias para um corte de 0,75 pontos percentuais na taxa Selic e manutenção da taxa até o final do ano, o mercado não descarte um corte menor agora, acompanhado de mais um a frente. Também está prevista a divulgação do IBC-Br de abril pelo Bacen e o indicador de vendas no varejo pelo IBGE.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários -05/06/2020

Índices de Referência – Maio/2020

NOSSA VISÃO – 08/06/2020

Retrospectiva

O noticiário positivo manteve o apetite dos investidores pelos mercados de risco. Aos poucos, as economias em diversos países do Hemisfério Norte e Ásia vão retornando as atividades, com alguns dados da atividade e emprego mostrando sinais de recuperação consistente. Tudo isso decorrente da retomada da economia nessas regiões, mostrando que o afrouxamento das regras de distanciamento e reabertura da convivência social vem surtindo efeitos positivos.
Os dados mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostram uma inflexão na curva de novos casos e óbitos. São pouco mais de 7,0 milhões de pessoas infectadas no mundo, que levaram a mais de 404 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 13% no número de contágios e de 8% no número de óbitos em uma semana, indicando manutenção no avanço de contágios e óbitos em relação aos dados de sete dias atrás.
O bom humor dos mercados veio na esteira da divulgação de dados sobre a atividade em diversos países e regiões.

Na China, foi divulgado que o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria caiu a 60,6 pontos em maio, ante 50,8 pontos em abril, mas ainda acima da marca de 50 pontos que separa crescimento de contração. Já o PMI de serviços subiu a 53,6 pontos em maio, sendo que em abril havia sido 53,2 pontos, o que sugere alta na confiança das empresas do setor.
Na região do Euro, também foram revelados dados sobre a expectativa da indústria e serviços, O PMI composto, que engloba os setores da indústria e de serviços dos países do bloco, saltou para 31,9 pontos em maio, ante 13,6 pontos em abril, revelando que a atividade cresceu fortemente puxada pelo setor de serviços, que avançou a 30,5 pontos em maio, ante a mínima recorde de 12 pontos em abril. A Itália teve o melhor desempenho dos países do bloco, com 33,9 pontos, seguida pela Alemanha (32,3 pontos) e França (31,1 pontos). A Espanha seguiu como o país com desempenho mais fraco, registrando 29,2 pontos.
Nos EUA, o PMI composto avançou a 37 pontos, bem acima dos 27 pontos registrados em abril, com destaque para o setor de serviços que avançou a 37,5 pontos em maio. Em abril o indicador teve sua mínima histórica ao registrar 26,7 pontos.
Ainda por lá, foi divulgado o relatório de emprego “payroll”, que surpreendeu ao mostrar criação de mais de 2,5 milhões de postos de trabalho em maio, ante previsão de destruição de 8 milhões de vagas, sinalizando que a economia vem se recuperando antes do previsto. Os dados revelaram que a taxa de desemprego recuo para 13,3% em maio. Em abril a taxa havia ficado em 14,7%.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 10,9%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 6,7%, O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 4,9% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 4,5%.
Por aqui, destaque para uma acomodação nas tensões entre os “três poderes”, e também para o noticiário econômico. Conforme divulgou o IBGE, a produção industrial brasileira desabou 18,8% em abril, na comparação com março, evidenciando a dimensão do impacto da pandemia pelo “coronavírus” e das medidas de distanciamento social na atividade. Em março, a produção industrial já havia recuado 9% frente a fevereiro. No acumulado do ano, a produção industrial encolheu 8,2%. A maior influência no número de abril veio da paralisação quase que completa da indústria automobilística, que desabou 88,5% na comparação com o mês de março, e acabou impactando toda a cadeia produtiva do setor. Somente houve crescimento nas atividades relacionadas a itens essenciais em meio à pandemia, como produtos alimentícios e produtos farmacêuticos, que voltaram a crescer. O PMI da industrial voltou a crescer em maio, registrando 38,3 pontos ante 36 pontos em abril, enquanto o PMI de serviços quase não mexeu em maio, registrando 27,6 pontos ante 27,4 pontos em abril.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, acompanhando as bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com alta de 8,3%, aos 94.637 pontos, acumulando valorização de 8,3% no mês, e desvalorização de -18,2% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 4,988 para a venda, o primeiro fechamento abaixo de R$ 5 desde 26 de março. Na semana, a moeda recuou -6,6% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 24,3%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 1,5%, enquanto no ano acumula desvalorização de -2,2%. Em 12 meses a valorização é de 7,8%.

Relatório Focus
No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,53%, ante 1,55% da semana passada, décima terceira semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 1,76%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,10%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,25%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o mercado manteve a projeção da semana anterior. O boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, que ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi aumentada para 3,50%, enquanto na semana anterior a expectativa era de 3,38%. Há quatro semanas a estimativa era de 3,50%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas para 2,13% na mediana das coletas, ante 2,25% da estimativa semanal anterior. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,75% na mediana das coletas, ante previsão de 2,88% da semana passada.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira continuam fazendo os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima sétima semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -6,25% para -6,48%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -4,11%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,50%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou que a projeção dos economistas para o câmbio ao final de 2020 se manteve em R$ 5,40 na mediana das estimativas. Um mês atrás a projeção era de R$ 5,00. Para 2021, a projeção para o câmbio foi mantida em R$ 5,08, ante R$ 4,83 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 60,00 bilhões, um recuou em relação à semana anterior que era de US$ 64,00 bilhões, enquanto que para 2021 a expectativa foi mantida em US$ 75,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 70,75 bilhões e US$ 79,00 bilhões, respectivamente.
Perspectiva
Os mercados de risco seguem contabilizando ganhos, em meio à retomada da economia mundo afora e as perspectivas de recuperação mais rápida do que antes se imaginava. Alguns dados revelados hoje cedo animavam os negócios.
No Japão, foi divulgado que o PIB do primeiro trimestre contraiu -2,2% anualizado, uma queda menor do que as estimativas, enquanto na China as exportações recuaram -3,3% na comparação com maio do ano passado, também superando as projeções que apontavam uma queda de -6,5%.
Por aqui os mercados seguem contaminados pelo comportamento dos mercados globais, apesar dos riscos maiores de um retardamento na retomada da atividade doméstica, na medida em que a reabertura do comércio e relaxamento do distanciamento social possam provocar um aumento no número de casos de pessoas infectadas pelo “coronavírus”, bem como no número de óbitos, o que faria as autoridades apertarem novamente as regras de mobilidade.
No campo político, as tensões entre os poderes deu uma trégua, enquanto o presidente Jair Bolsonaro tenha preferido não comentar sobre as manifestações “pela democracia” ocorridas no final de semana. Nem mesmo a mudança na divulgação de dados oficiais da doença pelo Ministério da Saúde foi capaz de crias novas tensões, além da indignação de uma ou outra entidade representativa do segmento da saúde.
O Brasil, alçado a novo epicentro da pandemia pelo “coronavírus”, segue contabilizando o numero de casos. Até agora são mais de 691 mil infectados e 36 mil óbitos, apontando um aumento de 34% nos casos de infectados e 24% nos casos de óbitos em uma semana. Com uma taxa média de quase 1.000 óbitos diários desde meados de maio, e em meio a medidas de afrouxamento das regras de distanciamento social e retomada gradual da economia que se multiplicam pelo país, de maneira aleatória e decorrente da falta de uma liderança no tema, o país segue com prognósticos nada animadores.
Na agenda externa da semana, destaque para a reunião do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve – FED, o FOMC, que deverá anunciar sua decisão sobre política monetária. A expectativa majoritária é pela manutenção do juro norte-americano no intervalo entre 0% e 0,25%. Porém, o mercado ficará de olho no pronunciamento dos membros do FED, que podem dar pistas sobre os movimentos futuros da autoridade monetária.
Na Europa, destaque para a fala da presidente do Banco Central Europeu (BCE, na sigla em inglês), após o colegiado ter decidido na semana passada por ampliar o programa de recompra de títulos públicos e privados para estimular a economia da região, quase que dobrando o volume de recursos disponíveis, agora em 1,350 trilhões de euros, além de prorrogar o programa para até junho de 2021.
Por aqui, destaque para a divulgação do IPCA de maio pelo IBGE, além da votação pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, de duas ações que pedem a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, com a tendência de arquivamento.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.
* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.
Indicadores Diários –05/06/2020
Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 01/06/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco seguiram em ritmo otimista, em decorrência do avanço na abertura da economia em diversos países da Ásia e Hemisfério Norte na medida em que ocorre uma forte redução do contágio pelo “coronavírus” e número de óbitos, com rígidos protocolos de segurança para se evitar uma nova onda de contágios, que ainda não foi observada. O mercado também repercutiu a expectativa de que uma vacina esteja disponível antes do final do ano, com laboratórios de diversos países trabalhando para uma solução em médio prazo. Ficaram em segundo plano as tensões diplomáticas entre EUA e China, após o Congresso chinês aprovar uma lei de segurança nacional sobre o território autônomo de Hong Kong, que gerou insatisfação na comunidade internacional.
Os dados mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostram uma inflexão na curva de novos casos e óbitos. São quase 6,2 milhões de pessoas infectadas no mundo, que levaram a mais de 371 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 15% no número de contágios e de 8% no número de óbitos em uma semana, indicando manutenção no avanço de contágios e óbitos em relação aos dados de sete dias atrás.
As autoridades monetárias de diversos países seguem demonstrando apoio as suas economias para retomada das atividades pós-pandemia. O Banco Popular da China (BPoC, na sigla em inglês) anunciou redução na taxa de depósito compulsório para 9,4%, além de injetar 300 bilhões de yuans no mercado através de recompra reversa, visando manter a liquidez do sistema bancário. A União Europeia anunciou pacote de estímulos de 750 bilhões de euros para ajudar as economias mais atingidas do continente, enquanto o Japão anunciou mais US 1 trilhão em auxílio extra a familiar e empresas.
No que tange ao desempenho das economias, uma enxurrada de indicadores foram divulgados.
Nos EUA, foi divulgado que o PIB do primeiro trimestre caiu -5%, conforme informou o Departamento de Comércio em segunda estimativa. O desempenho no trimestre é reflexo de contribuições negativas de consumo da população, exportações e investimentos privados e investimento fixo não residencial. Na região do euro, França e Itália reportaram forte retração econômica no primeiro trimestre do ano. O PIB da França sofreu contração de -5,3% na comparação com o quarto trimestre de 2019, enquanto o PIB italiano encolheu -5,3% na mesma base de comparação. Na Alemanha, as vendas do varejo em abriu recuaram -5,3%, enquanto a inflação ao consumidor ficou negativa em -0,1%.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 4,63%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 1,39%, O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 3,00% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 7,30%.
Por aqui, destaque para o noticiário sobre o mercado de trabalho. Conforme divulgou o Ministério da Economia, os números do CAGED mostraram que foram fechados 860.503 empregos com carteira assinada no consolidado em abril. O saldo é resultado de 598.596 admissões e 1.459.099 demissões. O setor de serviços, o que mais demitiu, foi responsável pela eliminação de 362.378 vagas. Neste ano, foram fechados mais de 1,1 milhão de vagas.
Conforme divulgou o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril ficou em 12,6%, um crescimento de 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre novembro/2019 a janeiro/2020, que foi de 11,2%. O número de desempregados aumentou 7,5% frente ao trimestre anterior, fechando em 12,8 milhões o número de pessoas desocupadas.
Em relação à atividade, o IBGE divulgou que o PIB do primeiro trimestre recuou -1,5% na comparação com o trimestre anterior, e reflete apenas os primeiros impactos da pandemia pelo “coronavírus” na atividade doméstica, colocando o país a beira de uma nova recessão, se considerarmos que a queda do segundo trimestre será bem maior.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, acompanhando as bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com alta de 6,36%, aos 87.402 pontos, acumulando valorização de 8,57% no mês, e desvalorização de -24,42% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,3400 para a venda. Na semana, a moeda recuou -4,19% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 33,08%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 0,94%, enquanto no ano acumula desvalorização de -3,63%. Em 12 meses a valorização é de 6,96%.

Relatório Focus
No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,55%, ante 1,57% da semana passada, décima segunda semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 1,97%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,10%, ante 3,14% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,30%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o mercado manteve a projeção da semana anterior. O boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi aumentada para 3,38%, enquanto na semana anterior a expectativa era de 3,29%. Há quatro semanas a estimativa era de 3,75%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,25%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,88% na mediana das coletas, mesma previsão da semana anterior.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira continuam fazendo os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima sexta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -5,89% para -6,25%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -3,76%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou que a projeção dos economistas para o câmbio ao final de 2020 se manteve em R$ 5,40 na mediana das estimativas. Um mês atrás a projeção era de R$ 5,00. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 5,03 para R$ 5,08, ante R$ 4,75 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 64,00 bilhões, um recuou em relação à semana anterior que era de US$ 65 bilhões, enquanto que para 2021 a expectativa foi reduzida para US$ 75 bilhões, ante US$ 76 bilhões da pesquisa anterior. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 70 bilhões e US$ 80,00 bilhões, respectivamente.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana próximos a estabilidade, repercutindo em parte a tensão diplomática entre EUA e China. Agora, os chineses pretendem suspender a importação de alguns produtos agrícolas, em resposta ao tom mais duro por parte das autoridades americanas sobre a intenção de limitar a entrada de cidadãos chineses no território americano e a imposição de sanções comerciais a Hong Kong.
Por aqui, repercute o panorama político com o avanço das investigações que apuram “fake news”, e que levou a uma série de buscas e apreensões que atingiram aliados do presidente Jair Bolsonaro, e o aumento das manifestações nas ruas em defesa da democracia após os ataques recentes às instituições vindos do planalto e apoiadores do presidente.
Em meio a essa tensão política, o país segue contabilizando os números da pandemia pelo “coronavírus”, agora alçado a novo epicentro mundial do contágio. Até agora são mais de 514 mil infectados e 29 mil óbitos, apontando um aumento de 41% nos casos de infectados e 32% nos casos de óbitos em uma semana. Com uma taxa média de quase 1.000 óbitos diários desde meados de maio, e em meio a medidas de afrouxamento das regras de distanciamento social e retomada gradual da economia que se multiplicam pelo país, de maneira aleatória e decorrente da falta de uma liderança no tema, o país segue com prognósticos nada animadores.
Na agenda externa da semana, destaque para a divulgação do relatório de emprego nos EUA na próxima sexta-feira. As estimativas indicam um corte de 8 milhões de empregos por lá. Na região do euro, a Alemanha divulgará dados da atividade, como PMI e desemprego, além da reunião ordinária do Banco Central Europeu, que versará sobre política monetária da região.
Por aqui, destaque para a divulgação de dados da produção industrial e do PMI manufatureiro, além do saldo da balança comercial de maio.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –29/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 25/05/2020

Retrospectiva


Os dados mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostram uma inflexão na curva Semana positiva para os mercados de risco, repercutindo notícias animadoras sobre resultados positivos de vacinas contra o “coronavírus” já com testes em humanos, além da abertura gradual das atividades em vários países que já passaram pelo pico da pandemia, e o esforço das autoridades monetárias de diversos países em apoiar a economia a retomar o rumo da expansão. Permanece o alerta das autoridades sanitárias diante de novos casos que possam sugerir uma nova onda de contágio nas economias que afrouxaram as regras de distanciamento social. Nem mesmo a tensão entre EUA e China tirou o humor dos investidores, que já coloca parte das agressões do presidente Donald Trump na conta da corrida eleitoral.
de novos casos e óbitos. São quase 5,4 milhões de pessoas infectadas no mundo, que levaram a mais de 344 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 14% no número de contágios e de 8% no número de óbitos em uma semana, indicando manutenção no avanço de contágios e recuo no avanço de óbitos em relação aos dados de sete dias atrás.
A divulgação de dados da atividade em diversos países segue mostrando a dimensão do estrago que a pandemia pelo “coronavírus” vem fazendo nas economias, porém recuperando-se após as quedas bruscas observadas nos meses de março e abril.
Nos EUA, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto preliminar teve leitura de 36,4 pontos em maio, ante os 27 pontos registrados em abril.  O PMI do setor de serviço ficou em 36,9 pontos, enquanto o industrial anotou 39,8 pontos. A projeção do mercado era por leituras inferiores, de 30 e 38, respectivamente. Ainda por lá, foi noticiado que o número de desempregados vem crescendo exponencialmente diante da paralisação recente das atividades. Conforme informou o Departamento do Trabalho, desde meados de março até agora, o total de pessoas que perderam seus trabalhos atingiu 38 milhões. Somente na última semana, 2,4 milhões de americanos deram entrada no seguro-desemprego. Porém, o órgão informou que os números devem ser piores, devido à demora em contabilizar os números devido ao elevado número de processos ainda em análise.
Na zona do euro, o PMI composto ficou em 30,5 pontos no resultado prévio de maio. O estimado era bem inferior, de 25 pontos. O PMI de serviços ficou em 28,7 pontos, ante expectativa de 25 pontos. Já o PMI da indústria registrou 39,5 pontos, número também superior à projeção, de 38 pontos. Cabe lembrar que em abril, mês considerado pico da crise no hemisfério norte, o PMI composto na região anotou 13,5 pontos.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 5,81%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 3,33%, O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 3,20% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 1,75%.
Por aqui, destaque para o encontro de governadores com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a ajuda financeira aos estados e municípios frente à pandemia. Em tom conciliador, o presidente confirmou que sancionará o projeto de lei que destina verbas federais da ordem de R$ 60 bilhões. No campo da economia, destaque para a fala do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, ao indicar um último ajuste no juro na próxima reunião do COPOM, em junho, um corte de até 0,75 pontos percentuais, o que levaria a taxa Selic para até a mínima de 2,25% ao ano. Destaque, também, para o relatório em que o ministério da Economia estimou que o déficit primário do governo central, que exclui o pagamento com juros da dívida, deve fechar 2020 com um rombo recorde de R$ 540 bilhões, por conta dos gastos para o enfrentamento da crise provocada pela pandemia pelo “coronavírus”.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, acompanhando as bolsas internacionais e a cena política menos tensa. O Ibovespa encerrou a semana com alta de 5,95%, aos 82.173 pontos, acumulando valorização de 2,07% no mês, e desvalorização de -28,94% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,574 para a venda. Na semana, a moeda recuou -4,54% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 38,90%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 1,45%, enquanto no ano acumula desvalorização de -4,54%. Em 12 meses a valorização é de 7,93%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,57%, ante 1,59% da semana passada, décima primeira semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,20%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,14%, ante 3,20% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,40%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o mercado manteve a projeção após a fala do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto. O boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,29%, enquanto na semana anterior a expectativa era de 3,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 4,25%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,25%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,88% na mediana das coletas, ante previsão de 3,50% na semana passada.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira continuam fazendo os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima quinta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -5,12% para -5,89%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -3,34%. Para 2021, o mercado financeiro elevou a previsão do PIB para 3,50%, ante 3,20% da semana anterior. Quatro semanas atrás, estava em 3,00%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou que a projeção para o câmbio ao final de 2020 voltou a aumentar, com o real agora estimado em R$ 5,40 na mediana das estimativas dos economistas consultados, ante projeção de R$ 5,28 uma semana atrás. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,80. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 5,00 para R$ 5,03, ante R$ 4,25 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números não sofreram alteração em relação à última pesquisa. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 65,00 bilhões, enquanto que para 2021 a expectativa foi mantida em US$ 76,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 72 bilhões e US$ 80,00 bilhões, respectivamente.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em acentuada alta, diante da redução no aumento do número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram o processo de relaxamento da quarentena, além dos primeiros sinais positivos de que as economias estão se recuperando da pior fase da pandemia.
Por aqui, a percepção de que o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, cujo sigilo foi aberto pelo ministro do STF, Celso de Melo, não foi tão desastroso ao presidente Jair Bolsonaro, ajudou a afastar o clima de instabilidade política que poderia pesar contra o mercado. Tanto o Dólar quanto o mercado futuro do DI operam em queda nas cotações.
Além disso, o mercado contabiliza os primeiros sinais de melhora na economia brasileira, com a divulgação do índice de confiança do consumidor, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. O índice, que teve alta em maio ante abril de 3,9 pontos, saltou para 62,1 pontos, diante da expectativa de abertura gradual da atividade que vem sendo anunciada por diversos prefeitos e governadores no Brasil.
Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 363 mil infectados e 22 mil óbitos, apontando um aumento de 50% nos casos de infectados e 37% nos casos de óbitos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Ainda assim, alguns Estados e Municípios mais afetados já planejam a retomada gradual da economia com restrições, porém seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.
Na agenda externa da semana, destaque para a divulgação da segunda prévia do PIB nos EUA, que deve conformar uma queda próxima a 5% no primeiro trimestre, além dos desdobramentos da tensão entre EUA e China, após os norte-americanos anunciarem impor sanções a empresas chinesas de tecnologia, aumentando o conflito bilateral já exacerbado por conta das acusações, pelo governo dos EUA, sobre a falta de atitude da China em conter a disseminação do “coronavírus” para além das suas fronteiras.
Por aqui, destaque para a divulgação do PIB relativo ao primeiro trimestre, que já incorpora o início dos impactos da pandemia na economia, a partir da metade de março. Outro dado importante que será revelado, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do país, que deverá mostrar uma menor pressão sobre os preços, além de dados de emprego e renda referente ao trimestre encerrado em abril.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –22/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 18/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana com perdas, em meio à abertura gradual das atividades em alguns países e o receio pelo aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo “coronavírus” diante do afrouxamento das regras de distanciamento social naqueles países em que o pico das infecções ficou pra trás. Além dessas incertezas, pesou no mercado a deterioração no relacionamento entre EUA e China, após o presidente norte-americano sugerir um corte nas relações com seu par chinês, em razão da incapacidade das autoridades chinesas em lidar com o vírus, fator que representaria um retrocesso nos avanços comerciais obtidos até a assinatura do acordo preliminar de paz, em janeiro deste ano.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostraram uma estabilização no fator de crescimento do número de infectados e óbitos. Os dados mais recentes informam a infecção de pouco mais de 4,7 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 316 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 14% no número de contágios e de 12% no número de óbitos em uma semana, indicando a manutenção no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Em semana de poucos indicadores no exterior, destaque para a divulgação do PIB do primeiro trimestre na zona do euro.

Conforme divulgou a agência Eurostat, o PIB da eurozona encolheu 3,8% no primeiro trimestre do ano ante o quarto trimestre de 2019, sofrendo a maior contração da série histórica iniciada em 1995. Em termos anualizados, a economia da região registrou um tombo de 14,2% no trimestre. Entre as maiores economias, a França (-5,8%), Espanha (-5,2%) e a Itália (-4,7%) lideraram as perdas. Na Alemanha, maior economia do bloco, a retração foi de 2,2%.

Nos EUA, foi divulgado pelo Departamento de Trabalho que a inflação ao consumidor registrou deflação de -0,8% em abril, após recuo de 0,4% em março.

Outro dado importante divulgado foi o resultado das vendas no varejo do mês de abril nos EUA, em meio ao fechamento do comércio na medida em que a pandemia manteve a população em casa. Conforme divulgou o Departamento do Comércio, as vendas no varejo recuaram 16,4% em abril, ante recuo de 83% em março, o maior declínio desde o início da série histórica, em 1992.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de baixa generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, despencou -4,02%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -2,29%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -2,25% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, recuou -0,70%.

Por aqui, o mercado repercutiu a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Bacen, o IBC-Br, que é considerado a prévia do PIB brasileiro. O índice apresentou queda de -5,9% em março na comparação com abril, em linha com a mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O índice registrou queda acumulada de -1,95% no primeiro trimestre ante o último trimestre de 2019.

Porém, é no campo da política que os sustos se acumulam. Desta vez a surpresa foi o pedido de demissão do Ministro da Saúde, Nelson Teich, menos de um mês após a posse. Em breve pronunciamento ao anunciar sua saída, o agora ex-ministro não deu pistas sobre os motivos da decisão. Entretanto, especula-se que discordâncias de opiniões sobre o uso do medicamento cloroquina e sobre regras de flexibilização do distanciamento social foram os motivos da iniciativa.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, acompanhando as bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com queda de -3,37%, aos 77.556 pontos, acumulando desvalorização de -3,66% no mês de -32,93% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,839 para a venda. Na semana, a moeda avançou 1,73% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 45,51%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,54%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,90%. Em 12 meses a valorização é de 6,53%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,59%, ante 1,76% da semana passada, décima semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,23%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,20%, ante 3,25% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,40%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado reduziu ainda mais a expectativa. Agora, o boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 3,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 4,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas para 2,25%, agora alinhada à mediana do grupo agregado. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,50% na mediana das coletas, também alinhada à mediana do grupo agregado.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima quarta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -4,11% para queda de -5,12%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -2,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 3,10%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi alterada para R$ 5,28, ante projeção de R$ 5,00 na semana passada. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,80. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,83 para R$ 5,00, ante R$ 4,50 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em ajuste pra baixo. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 65,00 bilhões, ante US$ 70,75 bilhões da semana anterior e US$ 71,00 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi alterada para US$ 76,00 bilhões, ante R$ 79,00 bilhões da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em alta acelerada, diante da redução no aumento do número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram o processo de relaxamento da quarentena. Outro fator de alívio veio na esteira do anúncio sobre resultados positivos no desenvolvimento em primeira fase de uma vacina contra o “coronavírus” pela empresa americana de biotecnologia Modena Inc. O FDA, órgão que regula os medicamentos nos EUA, autorizou a segunda fase dos testes. Ainda nos EUA, o presidente do Federal Reserve (FED, ma sigla em inglês), Jerome Powell, afirmou que a economia americana deve se recuperar gradualmente no segundo semestre, e que as munições estão prontas para serem utilizadas no combate a recessão.

Por aqui, as atenções estão voltadas para a condução da crise sanitária, após a saída do ministro da Saúde, Nelson Teich. Desta vez o presidente Jair Bolsonaro parece não demonstrar pressa em escolher o substituto, crescendo a avaliação de que o ministro interino, Eduardo Pazuello, permaneça à frente da pasta por pelo menos mais uma semana. Repercute também entre os investidores o relato do empresário Paulo Marinho ao jornal “Folha de S.Paulo”. Em entrevista publicada no domingo, o ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro afirmou que o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente, foi avisado sobre investigações da Polícia Federal realizadas em 2018 e que envolviam seu gabinete – na ocasião, Flavio ocupava o cargo de deputado estadual.

Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 241 mil infectados e 16,0 mil óbitos, apontando um aumento de 45% nos casos de infectados e óbitos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Estados e Municípios seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.

Em semana de agenda econômica fraca por aqui, destaque para a divulgação de dados parciais sobre a inflação de maio.

Nos EUA, será divulgada a ata da reunião do FOMC, que pode trazer indicações sobre o rumo das taxas de juros por lá, além da divulgação de PMIs. Em outros países, a agenda é mais fraca, com destaque para a divulgação de PMIs da zona do euro, onde os dados têm mostrado uma economia fortemente castigada pela pandemia.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –15/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 11/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana no campo positivo, com a confirmação de reabertura gradual do comércio e afrouxamento das regras de distanciamento social em vários países da Europa e Ásia. Outra fonte de alívio veio da informação, por autoridades dos dois países em videoconferência, de que os EUA e China reafirmaram a validade do acordo comercial em 1ª fase, dissipando os temores de que a agressiva retórica em torno da pandemia pelo “coronavírus” pudesse minar as negociações.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” confirmam a tendência de redução no número de infectados e óbitos, semana após semana. Os dados mais recentes informam a infecção de pouco mais de 4,1 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 283 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 14% no número de contágios e de 13% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Enquanto isso, dados das principais economias globais trazem a confirmação do estrago que a paralisação das atividades tem promovido na sociedade.

O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos EUA recuou de 39,8 pontos em março para 26,7 pontos em abril, abaixo da expectativa do mercado. A queda é resultado das restrições de viagens e do distanciamento social, que resultam em uma queda geral da atividade. Resultados abaixo de 50 pontos indicam contração do setor.

Ainda nos EUA, foi divulgado que no mercado de trabalho foram destruídos 20,5 milhões de empregos em abril. Em março, os EUA haviam perdido 701 mil postos de trabalho, o que dá uma dimensão do impacto da paralisação das atividades por lá. A taxa de desemprego subiu de 4,4% para 14,7%, taxa mais alta desde os anos 1940.

Na região do Euro a queda é mais drástica. O PMI de serviços fechou o mês de abril aos 12,0 pontos, ante 26,4 pontos em março. Irlanda com 17,3 pontos e Alemanha com 17,4 pontos apresentaram os melhores resultados, enquanto a Espanha com 9,2 pontos e Itália com 10,9 pontos foram os piores.

Na Ásia os números mostram uma melhora em função da reabertura gradual das atividades ter começado há mais tempo. Na China, o PMI de serviços fechou o mês de abril em 44,4 pontos, ante 43,0 pontos em março, com a taxa de novos negócios melhorando, mas ainda permanecendo no campo da contração, enquanto no Japão, o PMI da atividade de serviços em abril apresentou uma queda para 21,5 pontos, diante dos 33,8 pontos observados em abril.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 0,39%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 3,00%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, cresceu 3,50% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, subiu 2,85%.

Por aqui, destaque para a reunião do COPOM que reduziu a taxa básica de juros – Selic – para a mínima histórica de 3,00% ao ano, em decisão unânime. A redução, de 0,75 pontos percentuais, era em parte esperada pelo mercado, que trabalhava com um corte menos agressivo, de 0,50 pontos percentuais. No comunicado pós-reunião, o comitê avalia que “neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado”, e já deu pistas de que, na próxima reunião que ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, novo corte está planejado.

Coincidentemente, na mesma semana do COPOM ocorreu a divulgação da inflação. O IBGE divulgou que o IPCA de abril apresentou deflação de -0,31%, enquanto a taxa registrada em março foi de 0,07%. O maior impacto negativo veio do grupo “Transportes”, que recuou -2,66%, seguido dos “Artigos de Residência” que recuou -1,37%. No lado das altas, o vilão foi o grupo de “Alimentação e Bebidas”, com alta de 1,79%. No ano, o IPCA acumula alta de 0,22% e, nos últimos doze meses, de 2,40%.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, repercutindo a escalada de infecção pelo “coronavírus” no Brasil e o cenário político conturbado. O Ibovespa encerrou a semana com desvalorização de -0,30%, aos 80.263 pontos, acumulando valorização de 10,25% na semana e no mês, e desvalorização no ano de -30,59%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,740 para a venda. Na semana, a moeda avançou 5,56% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 43,04%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,33%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,39%. Em 12 meses a valorização é de 7,62%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,76%, ante 1,97% da semana passada, nona semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,52%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,25%, ante 3,30% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,50%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado voltou a reduzir a expectativa. Agora, o boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 2,50%, uma queda de 0,25 pontos percentuais em relação à Selic atual, que é de 2,75%. Nesta semana, o comitê de política monetária do Bacen, o COPOM, reduziu a taxa de juros Selic para 3,00%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,50%, ante projeção de 3,75% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 4,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima terceira semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -3,76% para queda de -4,11%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -1,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,70%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi mantida em R$ 5,00. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,60. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,75 para R$ 4,83, ante R$ 4,47 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em ajuste. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 70,75 bilhões, ante US$ 70,00 bilhões da semana anterior e US$ 73,00 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi alterada para US$ 79,00 bilhões, ante R$ 80,00 bilhões da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana no vermelho, diante do aumento no número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram um processo de relaxamento da quarentena. O mercado demonstra apreensão com o ressurgimento do contágio pelo vírus na Coreia do Sul e aceleração de casos na Alemanha, o que é prejudicial os planos de reabertura do comércio mesmo em países que já passaram pelo pico da pandemia. A China também volta a preocupar com o registro de cinco novos casos de infecção pelo “coronavírus” na província de Hubei, sendo que na capital Wuhan, epicentro original da doença, foi registrado o primeiro caso desde o dia 03 de abril.

Por aqui, o mercado aguarda pela confirmação do veto presidencial à ampliação das categorias de servidores públicos que continuarão a receber reajuste nos salários em meio à pandemia. A medida foi aprovada pelos parlamentares, que flexibilizaram o texto abrindo brechas para a concessão do reajuste a algumas categorias. O texto original do projeto, que previa o congelamento dos salários em contrapartida a ajuda financeira, pela União, aos Estados e Municípios, foi desfigurada na Câmara dos Deputados.

Também no radar dos investidores está o inquérito que investiga as acusações do ex-ministro Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro, no episódio da troca do comando na Polícia Federal.

Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 162 mil infectados e 11,0 mil óbitos, ambos os números apontando um aumento de 60% nos casos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Estados e Municípios seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação da ata da reunião do COPOM, que reduziu a taxa Selic para 3,00%, a mínima histórica. O documento poderá fornecer novas pistas sobre os rumos que a autoridade monetária seguirá. Na semana também será revelado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB, além de dados do setor de serviços.

Nos EUA, serão revelados os dados da inflação ao consumidor, além de dados de vendas no varejo, além do PIB do primeiro trimestre na zona do euro.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –08/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020


NOSSA VISÃO – 04/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana, majoritariamente, no azul diante da expectativa com o afrouxamento das medidas restritivas e a abertura gradual do comércio em diversos países da Europa e Ásia. Por outro lado, o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas sobre produtos chineses como resposta, ao sugerir que a China é responsável pela disseminação do “coronavírus”, após cortar ajuda financeira a Organização Mundial da Saúde – OMS por considerá-la um fracasso na administração da pandemia. Uma ação desse tipo pode colocar em risco todos os esforços promovidos pelas autoridades monetárias para recuperar as economias após a pandemia.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” confirmam a infecção de mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 248 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 17% no número de contágios e de 19% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Enquanto isso, os principais bancos centrais seguem promovendo estímulos monetários para evitar que as economias entrem em colapso.

Nos EUA, o Federal Reserve (FED na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juro inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%, e repetiu a promessa de fazer o que for necessário, e pelo tempo necessário, para sustentar a economia da região, com o compromisso de acionar o arsenal de ferramentas a disposição, e assim promover as metas de máximo emprego e estabilidade de preços.

Conforme divulgou preliminarmente o Departamento de Comércio, o PIB norte-americano encolheu a uma taxa anualizada de 4,8% no primeiro trimestre de 2020, enquanto no trimestre anterior a economia havia crescido 2,1%. Contribuiu negativamente para o resultado a queda no consumo das famílias, os investimentos privados e as exportações.

Na zona do euro, a agência Eurostat divulgou que o PIB do primeiro trimestre encolheu 3,8%, enquanto no 4º trimestre de 2019 havia expandido 0,1%, com os gastos do consumidor puxando a queda. O desemprego na região subiu para 7,4% em março, com o total de pessoas desempregadas estimado em 12,156 milhões.

No Japão, o banco central local (BoJ, na sigla em inglês), além de cortar suas previsões de crescimento da economia japonesa para algo entre -3,0% e -5% neste ano, a instituição informou que comprará títulos do governo sem limite máximo, além de dobrar sua capacidade em comprar bônus corporativos e títulos comerciais.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de movimentos mistos. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 5,08%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 0,19%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, recuou -0,21% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, subiu 1,86%.

No cenário doméstico, em semana encurtada devido ao feriado de 01 de maio, os mercados de risco se recuperaram com as questões políticas dando uma trégua. A fala do ministro da Economia Paulo Guedes tranquilizou o mercado, assim como a demonstração pública de apoio do presidente Jair Bolsonaro à equipe econômica e a política econômica de responsabilidade fiscal.

A Fundação Getúlio Vargas – FGV – informou que a confiança dos empresários da indústria despencou 39,3 pontos em abril, ficando em 58,2 pontos, a maior redução mensal e menor índice desde janeiro de 2001.

Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 6,87%, aos 80.506 pontos, acumulando valorização de 10,25% no mês, e desvalorização no ano de -30,39%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,438 para a venda. Na semana, a moeda recuou 4,06% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 35,51%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 2,79%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,08%. Em 12 meses a valorização é de 8,94%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,97%, ante 2,20% da semana passada, oitava semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,72%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,30%, ante 3,40% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,50%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 2,75%, uma queda de 100 pontos base em relação à Selic atual, que é de 3,75%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,75%, ante projeção de 4,25% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 4,75%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima segunda semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -3,34% para queda de -3,76%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -1,18%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 3,00% para 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi alterada para R$ 5,000, ante R$ 4,80 da semana passada e R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,55 para R$ 4,75, ante R$ 4,40 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 70,00 bilhões, ante US$ 72,00 bilhões da semana anterior e US$ 76,50 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em queda, diante da repercussão da acusação, pelo presidente Donald Trump, de que a China escondeu informações sobre a epidemia pelo “coronavírus” para armazenar suprimentos médicos e equipamentos para combate a doença, e com isso faturar alto à custa da saúde global. O mandatário norte-americano vem ameaçando taxar produtos chineses caso seja evidenciada a teoria.

Por aqui, o mercado repercute a presença do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações pró governo em Brasília neste domingo, nas quais os manifestantes voltaram a pedir o fechamento do Congresso e do STF, além de críticas ao ex-ministro Sérgio Moro. Na saída, Jair Bolsonaro deu corda aos manifestantes ao dizer que “a Constituição será cumprida a qualquer preço” e que “as forças armadas estão ao lado do povo”, o que pode ser interpretado como um movimento de autogolpe.

Ainda na seara política, a Câmara dos Deputados vota a proposta de auxílio financeiro a estados e municípios para combate a pandemia. A proposta já havia sido votada pelos deputados, porém retorna ao plenário após o Senado modificar o texto e incluir contrapartidas pelos entes à ajuda.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil, que assumiu a ingrata posição de 7º lugar no ranking mundial em número de óbitos. Até agora, são mais de 101 mil infectados e 7,0 mil óbitos, e os números seguem aumentando significativamente. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde.

Na agenda da semana, destaque para a reunião do COPOM, o comitê de política monetária do Bacen, onde é esperado um corte de meio ponto percentual, que se confirmado levará a taxa Selic dos atuais 3,75% para 3,25% ao ano. Na avaliação do mercado, a redução da Selic se dá num ambiente em que a alta do dólar não está sendo repassada para a inflação por conta do declínio da atividade e consumo, situação que favorece novos cortes.

Além da decisão sobre o juro, o mercado ficará atento à divulgação de dados da produção industrial e da inflação.

No exterior, destaque para a divulgação dos dados de emprego nos EUA, também chamado de Payroll, além de dados de vendas no varejo da zona do euro e da atividade chinesa.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –04/05/2020

Índices de Referência – Março/2020

NOSSA VISÃO – 27/04/2020

Retrospectiva

Em semana carregada de volatilidade, os mercados de riscos mantiveram o viés de perdas diante da escalada do contágio pelo “coronavírus” mundo afora, da pressão pelo afrouxamento do distanciamento social e pela reabertura do comércio, e dos números divulgados que confirmam o tamanho da recessão que virá pela frente.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 3,0 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 208 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 25% no número de contágios e de 26% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço em relação aos dados de sete dias atrás.

Com o preço do petróleo desmoronando, diante dos estoques para armazenamento do óleo saturados, o mercado aguarda uma posição da OPEP para mais cortes na produção além dos 9,7 milhões de barris diários a partir de 01 de maio. Enquanto isso, diversos produtores nos EUA vem encontrando dificuldades em manter seus compromissos, a ponto do presidente Donald Trump sinalizar com um plano para injetar dinheiro no setor e ajudá-los a sobreviver.

Na semana, diversos países tiveram dados divulgados sobre a saúde econômica, já sentindo os efeitos da queda da produção e demanda por produtos e serviços.

Nos EUA, foi divulgado pela IHS Markit o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que engloba os setores industrial e de serviços, que registrou 27,4 pontos em abril, ante 40,9 pontos em março, o menor desde que a pesquisa começou a ser feita, em março de 2009. A queda foi puxada pelo PMI de serviços, que recuou para 27,0 pontos em abril, ante 39,8 pontos em março, especialmente para empresas voltadas ao consumidor nas áreas de recreação e viagens.

Na região do euro a queda foi mais acentuada. O PMI composto recuou para a mínima histórica de 13,5 pontos em abril, ante 29,7 pontos em março. Apenas o PMI de serviços do bloco recuou de 26,4 pontos para a também mínima recorde de 11,7 pontos no período.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de quedas diante dos números que mostram o tamanho do estrago que a economia global registrará neste ano. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -2,73%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -0,60%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -1,32% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, despencou -3,19%.

No cenário doméstico, as questões políticas se sobrepuseram aos impactos do contágio pelo “coronavírus” na saúde pública brasileira. Não bastassem os embates entre os três poderes em Brasília e a demissão do ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta em meio ao caos da pandemia, a bola da vez foi o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, e ex-juiz Federal, Sérgio Moro. O agora ex-ministro anunciou seu desligamento na sexta-feira, alegando interferências do presidente Jair Bolsonaro na pasta após a publicação da exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, contrariando a vontade do ex-ministro. Na sequencia, o presidente Jair Bolsonaro contestou as afirmações do ex-ministro, que por sua vez disse ter provas sobre os fatos alegados. Foi o que bastou para que o mercado de ações fechasse o pregão de sexta-feira em queda de -5,45%, chegando a recuar -9,54% no intra Day. O pico de baixa se deu pela percepção geral de que a saída do ex-ministro Sérgio Moro poderia arrastar também o ministro da Economia, Paulo Guedes, em meio ao anúncio de um plano para retomada da economia capitaneado pela Casa Civil, denominado “Pró-Brasil”, sem o aval de Guedes.

Com o resultado de sexta-feira, a bolsa brasileira acabou encerrando a semana em queda. O Ibovespa fechou a semana com desvalorização de -4,63%, aos 75.331 pontos, reduzindo a valorização mensal para 3,17%, e acentuando a desvalorização no ano para -34,86%. Com a crise institucional, o dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,668 para a venda, cotação recorde para um encerramento de pregão. Na semana, a moeda avançou 8,25% frente ao real, enquanto no ano acumula valorização de 41,25%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com perda de -4,38%, na esteira da turbulência política que levou os preços dos contratos de DI negociados no mercado futuro a avançarem forte. No ano, o IMA-B Total acumula desvalorização de -7,66%. No acumulado de 12 meses a valorização recuou para 6,42%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,20%, ante 2,23% da semana passada, sétima semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,94%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,40%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,57%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,00%, mesma projeção da semana anterior e uma queda de 75 pontos base em relação à Selic atual, que é de 3,75%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 4,25%, ante projeção de 4,50% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 5,00%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima primeira semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -2,96% para queda de -3,34%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -0,48%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 3,10% para 3,00%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi mantida em R$ 4,80, ante R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,50 para R$ 4,55, ante R$ 4,30 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram elevada para US$ 72,00, ante US$ 71,00 da semana anterior e US$ 80,00 um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 81,40 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana recuperando parte das perdas da semana passada, devido a diversos fatores considerados positivos.

No Japão, o banco central (BoJ, na sigla em inglês) anunciou medidas de estímulo à economia local. Além de manter o juro em -0,1% ao ano, o banco anunciou que manterá o ritmo de compra de bônus do Japão, além de elevar a meta de compras de dívida corporativa e commercial paper em 20 trilhões de ienes.

Na China, o Banco do Povo (BPoC, na sigla em inglês) reduziu a taxa de juros de médio prazo de 3,15% para 2,95%, o primeiro corte desde que o instrumento foi criado, em 2018, além de injetar 56,1 bilhões de yuans em liquidez no sistema financeiro nessa modalidade de financiamento, com objetivo de estimular o repasse de empréstimo bancário a pequenas empresas e apoiar a retomada da economia, que se estima será em breve.

Na Europa, com o ritmo do contágio diminuindo, alguns países anunciam medidas de reabertura da economia para os próximos dias, como Itália e Espanha, além da Grã Bretanha.

Nos EUA, as paralisações levaram a um recorde de 26,5 milhões de norte-americanos solicitando auxílio-desemprego desde meados de março. Alguns estados também se preparam para reabertura de atividades não essenciais, o que deve elevar o nível de contágio da população.

Por aqui, destaque para o desenrolar das tensões políticas que avançaram no final de semana. O PGR, Augusto Aras, pediu ao STF abertura de inquérito para apurar eventuais crimes praticados pelo presidente Jair Bolsonaro, e/ou crime de denunciação caluniosa pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro deu demonstrações de apoio ao ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterando que é o ministro quem manda nas questões relacionadas à economia no governo, e que nenhum plano de recuperação da economia passará sem o aval dele. Aguardemos, pois, com muita cautela. Muito mais do que julgávamos.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil. Até agora, são quase 64 mil infectados e 4,3 mil óbitos, e os números seguem aumentando significativamente. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde.

Na agenda da semana, destaque para a reunião do FOMC, o comitê de mercado aberto do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês), onde se espera mais estímulos monetários, seguida de coletiva do seu presidente, Jerome Powell. Entre os indicadores, será divulgado o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que já acumula mais de 25 milhões desde o início da crise. Também serão revelados o PIB dos EUA e da zona do euro, ambos com estimativa de queda forte.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –24/04/2020

Índices de Referência – Março/2020

NOSSA VISÃO – 20/04/2020

Retrospectiva

Os mercados de riscos tiveram uma semana sem grandes perdas, em meio às notícias de melhora nos indicadores chineses, com destaque para a divulgação do PIB o primeiro trimestre, além da diminuição do contágio e número de óbitos nos EUA e países da Europa, que começam a discutir o afrouxamento da quarentena e abertura do comércio. Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 2,4 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 165 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 30% no número de contágios e de 40% no número de óbitos em uma semana, uma redução no avanço em relação aos dados de sete dias atrás.

Conforme divulgou o Fundo Monetário Internacional – FMI, a pandemia vai levar a economia mundial a registrar em 2020 o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929. O órgão passou a estimar que o PIB global deva recuar -3%, ante projeção anterior de alta de 3,3% feita em janeiro.  O relatório indica que as economias desenvolvidas serão as mais afetadas. A projeção é a de que os países mais ricos tenham uma retração na atividade de 6,1%, enquanto a atividade dos países emergentes e das economias em desenvolvimento deve recuar 1% em média. O relatório prevê que a retomada será rápida, e projeta uma recuperação no próximo ano, com o PIB avançando 5,8% globalmente.

Nos EUA, foi divulgado que as vendas no varejo caíram 8,7% em março depois de recuarem 0,4% em fevereiro, devido ao fechamento do comércio como medida para reduzir o contágio da doença. A produção industrial recuou 5,4% em março, maior queda desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Na China, a agência de estatísticas local divulgou que o PIB do primeiro trimestre recuou -6,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, a primeira contração em quase 30 anos, e refletindo as perdas da paralisação quando a sociedade estava isolada. Ainda assim, o resultado ficou melhor do que o esperado pelo mercado, que era uma queda de no mínimo -7,5% no período.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de recuperação de parte das perdas em meio aos primeiros sinais de desaceleração da contaminação pelo “coronavírus” na população dos países do hemisfério norte. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 0,58%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou -0,95%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 3,04% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 2,85%.

Por aqui, as atenções voltaram-se para a troca no comando do Ministério da Saúde, com o Deputado Federal pelo Democratas, Luiz Henrique Mandetta, deixando a pasta. Para a vaga, o escolhido foi o médico oncologista Nelson Luiz Sperle Teich, que se disse “alinhado” ao pensamento do presidente Jair Bolsonaro, mencionando que saúde e economia não competem, são complementares. No campo da política, os atritos entre os três poderes seguem no radar. Enquanto o STF decidiu pela autonomia dos governos estaduais e municipais sobre as medidas de isolamento social local, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que assegura socorro financeiro com recursos federais aos estados e municípios para compensar a queda da arrecadação, sem nenhuma contrapartida. O projeto segue agora ao Senado Federal, para apreciação.

O Senado Federal aprovou, em segundo turno por maioria de votos, a PEC chamada de “orçamento de guerra”, que tem por objetivo separar, do orçamento geral, os gastos normais dos gastos emergenciais para conter os danos causados pela pandemia, afim de não gerar impacto fiscal em um momento de desaceleração da economia.

Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,68%, aos 78.990 pontos, acumulando valorização de 8,18% no mês, e desvalorização no ano de -31,70%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,236 para a venda. Na semana, a moeda avançou 2,85% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 30,48%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 3,09%, enquanto no ano acumula desvalorização de -3,42%. Em 12 meses a valorização é de 12,21%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,23%, ante 2,52% da semana passada, sexta semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 3,04%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu ainda mais a estimativa da inflação, para 3,40%, ante previsão de 3,50% na semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,60%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,00%, uma redução de 75 pontos base em relação à Selic atual, de 3,75%. Na semana anterior a expectativa era de que a Selic encerrasse o ano em 3,25%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 4,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 5,25%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas ainda mais, para 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -1,96% para queda de -2,96%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 1,48%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 2,70% para 3,10%, a segunda seguida. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi de R$ 4,60 para R$ 4,80, ante R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,47 para R$ 4,50, ante R$ 4,29 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram reduzida para US$ 71,00, ante US$ 73,00 da semana anterior e US$ 80,00 um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de ações iniciam a semana com perdas, após os investidores perceberem que o corte na produção de petróleo anunciada pela OPEP na semana passada, de 9,7 milhões de barris/dia, não serão suficientes para fazer frente à fraca demanda global por conta do impacto do “coronavírus” na economia mundial. A cotação do petróleo tipo WTI recuava abaixo de US$ 11 o barril, uma queda de 40% na cotação, em meio ao excesso de oferta e estoques no limite da capacidade de armazenamento.

A China segue tomando medidas de estímulo visando impulsionar sua economia, que ruiu em meio à pandemia. A autoridade monetária reduziu hoje a taxa primária de empréstimo de 1 ano em 20 pontos base, para 3,85%, enquanto a taxa de 5 anos sofreu corte de 10 pontos base, para 4,65%.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação de alguns indicadores no hemisfério norte. Nos EUA saem o PMI, os pedidos de bens duráveis e vendas de moradias, que devem mostrar fortes quedas. Na Europa, serão revelados o PMI da zona do euro e do Reino Unido.

Por aqui, as atenções estarão voltadas para o cenário político que envolve a disputa pelo protagonismo da crise. Destaque para a votação da PEC do chamado “orçamento de guerra”, que retorna à Câmara dos Deputados após aprovação do texto modificado pelo Senado.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil. Até agora, são quase 40 mil infectados e 2,5 mil óbitos. Enquanto isso, alguns estados brasileiros prolongam a quarentena por mais alguns dias. O governador João Dória decretou a extensão da quarentena no estado de São Paulo até 10 de maio, enquanto no estado do Rio de Janeiro vai até o dia 30 de abril. Em sentido oposto, alguns estados e municípios brasileiros planejam afrouxar rapidamente as medidas de distanciamento social.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –17/04/2020

Índices de Referência – Março/2020

NOSSA VISÃO – 13/04/2020

Retrospectiva

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 1,8 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 116 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 40% no número de contágios e de 50% no número de óbitos em uma semana, o que tem levado a uma corrida mundial por encomendas de EPIs e respiradores artificiais em um momento de baixa oferta. O isolamento social foi expandido nos principais centros do contágio, e indicam que a economia deve demorar mais do que o previsto inicialmente para atingir o fundo do poço. A única região que, de fato, afrouxou as medidas de segurança foi a China. A cidade de Hubei, onde o “coronavírus” surgiu em dezembro do ano passado, foi reaberta após 11 semanas de total confinamento.
Enquanto isso, no Japão, o governo decretou estado de emergência de um mês em sete regiões do país. As medidas restritivas devem atingir quase 50 milhões de pessoas, o equivalente a 44% da população japonesa. Concomitantemente, o governo japonês anunciou um pacote de ajuda que inclui gastos fiscais, repasses a famílias e financiamento de pequenas empresas no valor de 108 trilhões de ienes, o equivalente a quase US$ 1 trilhão.
A Organização Mundial do Comércio – OMC – reviu as projeções para o comércio global, concluindo que 2020 será o pior ano da história da OMC. Conforme o relatório, no melhor dos cenários, o comércio deve cair este ano 13%, mais do que na esteira da crise financeira de 2008. Mas, se a pandemia demorar a ser controlada e governos não agirem rapidamente, a queda pode chegar a 32%, equivalente à registrada na Grande Depressão na década de 1930, ao longo de três anos. Conforme previsão do IFO, instituto de pesquisa econômica sediado em Munique, a economia alemã deve recuar quase 10% no segundo trimestre. Já o banco central francês prevê o encolhimento da economia francesa em 6% até agora.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de recuperação de parte das perdas em resposta aos maciços programas de estímulo monetário dos principais governos e bancos centrais do planeta. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 10,91%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 7,89%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 12,10% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 8,56%.
Por aqui, o avanço do contágio indica que o pior está por vir. As autoridades de saúde mantém a recomendação de isolamento social como a principal medida de combate a disseminação do “coronavírius” e desafogar o sistema de saúde. Por outro lado, com a atividade paralisada devido à quarentena obrigatória dos serviços considerados não essenciais, o mercado contabiliza os prejuízos.
O índice dos gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) composto caiu 13,3 pontos em março. O indicador foi de 50,9 pontos em fevereiro para 37,6 pontos em março, menor registro já feito desde o início da pesquisa, em março de 2007. O recuo foi puxado principalmente pelo setor de serviços, que teve queda de 15,9 pontos – indo de 50,4 para 34,5 pontos.
O auxílio emergencial a população mais carente anunciado pelo governo federal começou a ser implementado. A primeira leva de pagamentos, liberado pela Caixa Econômica Federal no dia 09 de abril, contemplava um total de 2,5 milhões de brasileiros que já estavam inscritos no CadÚnico.
O IBGE divulgou que o IPCA variou 0,07% em março, o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, e ficou 0,18 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro, de 0,25%. O grupo Alimentação e bebidas apresentou a maior variação, 1,13%, e o maior impacto, 0,22 ponto percentual. No lado das quedas, embora a menor variação tenha sido a dos Artigos de residência, com -1,08%, a maior contribuição negativa no índice do mês veio dos Transportes, com -0,90%, que contribuiu com -0,18 pontos percentuais.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 11,71%, aos 77.681 pontos, acumulando desvalorização no ano de -32,83%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,091 para a venda, o menor valor de fechamento em quase duas semanas. Na semana, a moeda recuou 0,19% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 28,23%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 1,74%, enquanto no ano a desvalorização é de -6,32%. No acumulando de 12 meses a valorização é de 8,89%.
Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,52%, ante 2,72% da semana passada, quinta semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 3,10%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,50%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,65%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,25%, uma redução de 50 pontos base em relação à Selic atual, de 3,75%. Na semana anterior a expectativa era a mesma de hoje. Para o encerramento de 2021, a previsão para a Selic foi reduzida em mais 0,25 ponto percentual, para 4,50%, ante projeção de 4,75% na semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 5,25%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas ainda mais, para 2,75%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 4,00%.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -1,18% para queda de -1,96%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 1,68%. O número, porém, está longe das novas previsões divulgadas por algumas casas na semana passada, que veem a economia brasileira encolher mais de -3,5% neste ano, como consequência da parada da atividade no Brasil e no mundo, com as restrições de circulação para conter o contágio do vírus. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 2,50% para 2,70%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi de R$ 4,50 para R$ 4,60, ante R$ 4,35 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio foi de R$ 4,40 para R$ 4,47, ante R$ 4,20 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram reduzida para US$ 73,00, ante US$ 76,50 da semana anterior. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 83,75 bilhões.
Perspectiva

Os mercados de risco repercutem o acordo histórico selado por russos e árabes que definiram um corte na produção do petróleo da ordem de 10 milhões de barris diários em resposta a uma queda de 30% na demanda por combustíveis em todo mundo, o que trouxe o preço do barril do petróleo a níveis de quatro anos atrás. Entretanto, o tamanho do corte frustrou as expectativas gerais, que esperavam uma redução de até 20 milhões de barris diários, e diante disso, limitou o ânimo dos mercados.
Por aqui, destaque para o relatório do Banco Mundial sobre o crescimento da economia revelado no final de semana. Para a América Latina e Caribe, o Banco Mundial prevê que o PIB da região deverá diminuir 4,6% em 2020, enquanto que para 2021 é esperado um crescimento de 2,6%. O relatório destacou que muitos países da região estão enfrentando a pandemia do “coronavírus” com um espaço fiscal limitado, dado um contingente de cidadãos vulneráveis significativamente elevado e dependentes de programas sociais de distribuição de renda. Para o Brasil, o relatório prevê uma retração ainda maior, de 5% no PIB em 2020.
Na agenda da semana, destaque para a divulgação do PIB trimestral da China, que deve mostrar uma queda da ordem de 6% no primeiro trimestre, na comparação anual, além de dados da produção industrial e vendas no varejo, que devem repercutir o retorno da atividade da região após o período de isolamento recém-terminado.
No restante do mundo, os dados de atividade, produção e vendas devem mostrar declínio na medida em que forem revelados, em vista da extensão dos períodos de isolamento social nos países em que o número de pessoas infectadas segue avançando.
Por aqui, espera-se pela votação da PEC do “orçamento de guerra”, que permite gastos do governo além das regras fiscais previstas na Constituição, para combater os efeitos da pandemia.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –13/04/2

Índices de ReferênciaMarço/20