O primeiro semestre de 2026 terminou com um placar que resume bem o que foi vivido: Ibovespa com alta de 6,76% no semestre, mas queda de 8,24% no segundo trimestre, período que concentrou os efeitos mais duros da guerra entre EUA e Irã. A semana de 29 de junho a 3 de julho chegou com mais um capítulo do conflito: novos ataques entre as duas potências no fim de semana, seguidos de um novo cessar-fogo e retomada das negociações no Catar. O CAGED de maio trouxe um sinal de alerta: apenas 72.960 vagas formais criadas, o pior resultado desde 2020 e menos da metade das 175 mil esperadas pelo mercado. O IGP-M de junho, por sua vez, recuou 0,50%, e o Boletim Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas.
A semana de 22 a 26 de junho de 2026 chegou com uma novidade que o mercado esperava e outra que ele temia. O Boletim Focus registrou a 15ª alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que chegou a 5,33%, e a Selic projetada para o fim do ano subiu para 14,00%, sinal de que o mercado não espera mais cortes de juros expressivos em 2026. Nos EUA, o PCE, principal termômetro de inflação do Federal Reserve, superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado passou a precificar 80% de chance de alta de juros americanos em setembro. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, e na zona do euro o BCE alertou que o cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para baixar a guarda, estimando que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual.
A semana de 15 a 19 de junho de 2026 marcou um ponto de virada: na quarta-feira (17), Trump assinou o acordo de paz com o Irã, encerrando quase quatro meses de guerra, no mesmo dia em que o Fed estreou o novo presidente Kevin Warsh e o Copom cortou a Selic para 14,25%. Mas o alívio geopolítico não se traduziu em alívio para o mercado: o Focus registrou a 14ª alta consecutiva no IPCA de 2026, que chegou a 5,30%, e o Ibovespa fechou a “Super Quarta” em queda após o Fed sinalizar possível alta de juros americanos ainda este ano. O dólar voltou a R$ 5,17.
A semana trouxe uma combinação rara: o pior susto geopolítico em meses e o melhor resultado da bolsa em mais de dois meses.NOSSA VISÃO: Semana de 29 Junho a 03 de Julho de 2026

No exterior, a grande surpresa foi o payroll americano de junho: apenas 57.000 vagas criadas, contra expectativa de 110.000, levando o mercado a reduzir as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro. O resultado animou as bolsas globais e ajudou o Ibovespa a encerrar a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego ficou em 6,2% em maio, abaixo do esperado e a inflação da Alemanha desacelerou, aliviando levemente a pressão sobre o BCE, que ainda mantém a reunião de 22 e 23 de julho como o próximo evento de atenção máxima.
1. Inflação: Focus mantém IPCA em 5,33% pela segunda semana seguida e IGP-M cai 0,50% em junho
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (29) trouxe relativa estabilidade nas projeções: a estimativa para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,33%, sem alteração pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também foi mantida em 14,00% ao ano. O PIB teve leve alta marginal, de 1,98% para 1,99%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.
Na mesma segunda-feira, a FGV divulgou o IGP-M de junho: queda de 0,50% no mês, revertendo a alta de 0,84% de maio. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,27% no ano e 3,16% em 12 meses. A queda foi puxada pelos preços ao produtor, que recuaram com a relativa estabilidade do petróleo nas últimas semanas. O IGP-M é um índice relevante para contratos de aluguel e acordos comerciais; quando ele cai, a pressão sobre esses custos diminui.
2 Juros: Selic em 14,25%, mercado projeta pausa no ciclo e debate corte apenas em agosto
A Selic permaneceu em 14,25% ao ano, nível definido pelo Copom em 17 de junho. A próxima reunião está marcada para 4 e 5 de agosto. O mercado, conforme o Questionário Pré-Copom divulgado na semana anterior, espera manutenção da taxa em agosto e setembro, com eventual retomada de cortes apenas no quarto trimestre, dependendo da evolução da inflação e da geopolítica.
O índice de confiança de serviços da FGV subiu 2,1 pontos em junho, para 90,8 pontos, o maior nível desde janeiro de 2026, indicando que o setor de serviços ainda mantém certo otimismo, mesmo com juros elevados. O governo anunciou na segunda-feira medidas de incentivo à adimplência das famílias, em iniciativa para aliviar o peso das dívidas sobre a renda dos consumidores. As medidas reforçam o esforço de sustentar o consumo interno em um ambiente de crédito caro.
3. Crescimento Econômico: CAGED registra apenas 72.960 vagas em maio, o pior resultado desde 2020
Na terça-feira (30), o Ministério do Trabalho divulgou o CAGED de maio: o Brasil abriu apenas 72.960 vagas formais de trabalho em maio, o menor saldo desde 2020 e bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava 175 mil vagas. O resultado confirma a tendência de moderação no mercado de trabalho que vinha sendo sinalizada desde abril, quando o saldo havia sido de apenas 85.888 vagas.
A desaceleração do emprego formal é um dado de dupla leitura: por um lado, reduz a pressão inflacionária via renda, abrindo espaço para o Banco Central calibrar a Selic de forma mais gradual. Por outro, sinaliza que a guerra e os juros elevados já estão deixando marcas na capacidade das empresas de contratar. Com dois meses seguidos de resultados fracos no CAGED, o mercado de trabalho brasileiro está convergindo para o que os economistas chamam de “equilíbrio de baixa velocidade”; poucas contratações e poucas demissões.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra segundo trimestre com queda de 8,24%, semestre ainda no positivo em 6,76%
A semana trouxe o encerramento do segundo trimestre de 2026 e o balanço não foi animador. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e de 1,01% no mês de junho. No semestre, porém, ainda registra ganho de 6,76%, sustentado pela forte alta do primeiro trimestre, quando o acordo de paz ainda era esperado com otimismo e o índice chegou a bater recordes acima dos 199 mil pontos.
Na segunda-feira (29), o Ibovespa operou em leve alta, acima dos 173,6 mil pontos, impulsionado pelo novo cessar-fogo entre EUA e Irã após ataques do fim de semana. Na quinta-feira (02 de julho), a bolsa fechou em alta após o payroll americano de junho vir bem abaixo do esperado, 57 mil vagas contra expectativa de 110 mil, reduzindo a pressão por alta de juros nos EUA e melhorando o humor global com ativos de risco.
5. Câmbio: Dólar fecha junho com alta de 2,23%, mas recua após payroll fraco nos EUA
O câmbio da semana foi marcado por dois movimentos opostos. Na segunda-feira (29), o dólar subia frente ao real em meio à renovação das tensões geopolíticas, EUA e Irã haviam trocado novos ataques no fim de semana, antes de concordarem em suspender as hostilidades. O câmbio encerrou junho com alta acumulada de 2,23% no mês, revertendo parte da valorização do real do período pré-acordo de paz.
Na quinta-feira (02 de julho), o payroll americano de junho fraco mudou o humor do mercado. O dólar recuou, e o Ibovespa fechou em alta. O real, que havia acumulado queda de 6,04% do dólar no acumulado de 2026, mantém posição de uma das moedas emergentes de melhor desempenho no ano, mesmo com a volatilidade do segundo trimestre.
EUA: Novo cessar-fogo, payroll de junho frustra e Fed mantém cautela
A semana americana começou com novo episódio de tensão no Oriente Médio: EUA e Irã trocaram ataques no fim de semana antes de concordarem em suspender as hostilidades e retomar as negociações no Catar na terça-feira. A retomada da via diplomática veio após dias de ataques recíprocos, iniciados depois que um projétil iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz. Na quarta-feira (1º de julho), Kevin Warsh participou do painel de política monetária do Fórum de Sintra, na Europa, e reforçou o tom duro: a inflação americana segue “alta demais”.
A grande surpresa veio na quinta-feira (2): o payroll de junho dos EUA criou apenas 57.000 vagas, bem abaixo das 110.000 esperadas pelo mercado. Os dados de abril e maio também foram revisados para baixo, com corte conjunto de 74 mil postos. A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% em junho, mas acompanhada de forte encolhimento de 720 mil pessoas na força de trabalho, reflexo das políticas de controle migratório do governo Trump, que reduziram a oferta de mão de obra disponível. O resultado foi lido como alívio pelo mercado: com emprego mais fraco, o Fed tem menos pressão para subir juros, e as apostas em alta de taxas em setembro recuaram significativamente.
China: Retomada de ataques EUA-Irã ameaça abastecimento energético e afeta fluxo de Ormuz
A China viveu uma semana de incerteza renovada. A retomada dos ataques entre EUA e Irã no fim de semana anterior, que resultou em um projétil atingindo um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, ameaçou novamente o fluxo de energia para Pequim, que depende da rota para cerca de 50% do seu petróleo importado. Apesar disso, a China manteve seus canais diplomáticos com Teerã e seguiu recebendo tratamento diferenciado para o trânsito de seus navios pelo estreito.
Do lado econômico, o PMI industrial da China, divulgado na quarta-feira (1º de julho), seguiu como indicador de atenção. O índice reflete o humor dos gerentes de compras das fábricas chinesas: acima de 50 indica expansão, abaixo indica contração. O padrão de “duas velocidades” persiste: exportações de tecnologia sustentadas pela demanda global por inteligência artificial, mas consumo interno ainda fraco, refletindo a crise imobiliária e a cautela das famílias. Para o Brasil, a China resiliente, mesmo com desequilíbrios, sustenta a demanda por soja, minério de ferro e petróleo, pilares da nossa balança comercial.
Zona do Euro. Desemprego fica em 6,2% em maio e inflação da Alemanha desacelera, BCE mantém postura de vigilância
A zona do euro trouxe dois dados relevantes na semana. Na quinta-feira (02 de julho), a Eurostat divulgou que a taxa de desemprego da zona do euro permaneceu em 6,2% em maio, abaixo dos 6,3% esperados pelo mercado. O dado de abril foi revisado para baixo, também para 6,2%, de 6,3% originalmente. A Eurostat estima que havia 10,986 milhões de desempregados na zona do euro em maio.
A desaceleração da inflação na Alemanha, maior economia do bloco, também foi destaque na semana, contribuindo para o bom desempenho das bolsas europeias no encerramento do trimestre, com o índice pan-europeu subindo 0,97%. Para o BCE, o dado de desemprego estável e a inflação alemã mais comportada oferecem um cenário levemente menos tenso do que nas últimas semanas, embora a inflação da zona do euro em 3% siga bem acima da meta e a reunião de 22 e 23 de julho permaneça como o próximo evento de atenção máxima para os mercados.
Conclusão:
O primeiro semestre encerrou com sinais mistos e o início do segundo já trouxe novos desafios. O CAGED de maio registrou apenas 72.960 vagas formais, o pior resultado desde 2020, confirmando que a guerra e os juros elevados já deixam marcas no mercado de trabalho. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e o dólar fechou junho com alta de 2,23%, revertendo parte dos ganhos do real. Ao mesmo tempo, o Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana seguida, após 15 altas consecutivas, e o IGP-M recuou 0,50% em junho, sinais de que a inflação pode estar encontrando um teto, ainda que elevado.
No exterior, o payroll americano fraco, 57.000 vagas criadas contra 110.000 esperadas, reduziu a pressão por alta de juros nos EUA e trouxe alívio aos mercados globais, incluindo o Ibovespa, que fechou a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego estável em 6,2% e a inflação alemã desacelerando oferecem um respiro ao BCE antes da reunião de 22 e 23 de julho.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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NOSSA VISÃO: Semana de 22 a 26 de Junho de 2026

Na quinta-feira (25), os dados domésticos surpreenderam positivamente. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, com desaceleração puxada pelos alimentos e pela relativa estabilidade dos combustíveis, embora o componente de serviços siga pressionado. No mesmo dia, o Banco Central revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, citando aceleração da atividade e resiliência do mercado de trabalho. O Índice de Confiança da Indústria atingiu 100,1 pontos, acima do patamar de otimismo pela primeira vez no ano, e o Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com três altas seguidas, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro de US$ 8,196 bilhões registrado em junho até o dia 19.
1. Inflação: Focus registra 15ª alta consecutiva e IPCA-15 de junho desacelera para 0,41%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (22) mostrou nova deterioração: a projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,30% para 5,33%, marcando a 15ª alta consecutiva. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 avançou de 13,75% para 14,00%, três semanas seguidas de revisão para cima. A projeção do PIB subiu de 1,96% para 1,98%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.
O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, e desacelerou frente à alta de 0,62% em maio. Na base anual, o avanço foi de 4,80%, também abaixo dos 4,82% projetados pelo mercado. A desaceleração foi puxada pelos alimentos, que arrefeceram em junho, e pela relativa estabilidade dos combustíveis, dois fatores que tendem a ser voláteis e podem se reverter nos próximos meses. O ponto de atenção fica com o componente de serviços, que seguiu pressionado: esse grupo é o mais difícil de controlar porque depende do mercado de trabalho e do consumo das famílias, não do petróleo e sua resistência indica que a inflação de fundo ainda não cedeu de forma estrutural.
2 Juros: Ata do Copom confirma cautela e mercado eleva Selic projetada para 14% em 2026
Na terça-feira (23), o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom de 17 de junho, documento que detalha os motivos da decisão de cortar a Selic de 14,50% para 14,25% e sinaliza o caminho à frente. O mercado financeiro, antes da reunião do Copom da semana anterior, esperava que a Selic encerrasse 2026 em 14,00% e 2027 em 12,00%, conforme mostrou a mediana do Questionário Pré-Copom divulgado na quarta-feira (24). A maior parte dos agentes esperava que o BC cortasse 0,25 ponto percentual na reunião de junho, em linha com o que foi feito, e previa manutenção nas duas reuniões seguintes, em agosto e setembro.
O Boletim Focus da semana já antecipava esse movimento, elevando a Selic projetada para o fim do ano de 13,75% para 14,00%, sinal de que o mercado aguarda uma pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões.
3. Crescimento Econômico: BC eleva previsão do PIB de 2026 para 2,0% e confiança da indústria sobe para 100 pontos
Na quinta-feira (25), o Banco Central surpreendeu positivamente com a divulgação do Relatório de Política Monetária. O BC elevou sua projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0%, apontando que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.
Na sexta-feira (26), mais um dado positivo. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV subiu 3,0 pontos em junho, para 100,1 pontos. O indicador acima de 100 sinaliza que os empresários industriais estão, em média, otimistas com o cenário à frente. A combinação entre a revisão do BC e a melhora da confiança industrial mostra que a economia brasileira mantém resiliência estrutural, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados e inflação acima da meta.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem três altas seguidas e encaminha primeira semana positiva em dois meses
Após semanas difíceis, o Ibovespa mostrou recuperação. Na terça-feira (23), o índice registrou a terceira alta seguida, com bancos e Petrobras liderando os ganhos, na contramão do exterior. O alívio geopolítico, com imagens de negociadores americanos e iranianos trocando apertos de mão na Europa no fim de semana anterior, ajudou a reduzir o prêmio de risco e impulsionou os ativos brasileiros.
Na quinta (25), o índice voltou a subir, operando em alta de 1% acima dos 172,6 mil pontos, impulsionado pelo IPCA-15 abaixo do esperado e pelo PCE americano (principal termômetro de inflação utilizado pelo Federal Reserve para calibrar sua política de juros) em linha com as projeções. Por fim, na sexta (26), o fluxo cambial total positivo de US$ 8,196 bilhões em junho até o dia 19 foi divulgado pelo Banco Central, sinal de entrada consistente de capital estrangeiro no país.
5. Câmbio: Dólar oscila entre R$ 5,16 e R$ 5,20 em semana de dados de inflação no Brasil e nos EUA
O câmbio da semana foi ditado pelas expectativas de inflação nos dois lados do Atlântico. Na segunda-feira (22), o Ibovespa fechou em alta na contramão do exterior e o dólar recuou levemente, refletindo o fluxo de capital estrangeiro positivo para o Brasil. O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e realizou operações de swap cambial reverso (é uma ferramenta que o BC usa para equilibrar o mercado de câmbio quando o real está muito forte, sem precisar comprar ou vender dólares de verdade, apenas no mercado de contratos futuros) no valor de outros US$ 1 bilhão na sexta-feira (26) que garante liquidez ao mercado sem impacto líquido sobre as cotações. I
Na quinta-feira (25), o dólar comercial subia a R$ 5,20 nos primeiros negócios, antes de recuar após o IPCA-15 desacelerar mais do que o esperado e o PCE americano vir em linha com as estimativas. O real terminou a semana com desempenho misto: pressionado no início pelos dados do Focus, aliviado no meio da semana pelo IPCA-15 e pelo PCE, e novamente pressionado no fim pelo fluxo de saída de ações de tecnologia americanas que afetou ativos emergentes globalmente.
EUA: PCE supera 4% pela primeira vez em três anos e mercado precifica alta de juros em setembro
A grande novidade econômica da semana veio na quinta-feira (25): a divulgação do PCE, o índice de inflação preferido do Federal Reserve. O índice de preços PCE subiu 4,1% nos 12 meses até maio, o maior aumento e a primeira leitura acima de 4,0% desde abril de 2023. O PCE subiu 3,8% em abril. O índice teve alta de 0,4% em maio em relação ao mês anterior. A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina.
O dado consolidou uma mudança importante nas expectativas de mercado. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, teve alta de 3,4% em maio na base anual, ante 3,3% em abril. Os mercados financeiros precificam cerca de 30% de chance de alta de juros na reunião do Fed de 28 e 29 de julho e cerca de 80% de chance de alta na reunião de 15 e 16 de setembro. Para o Brasil, essa precificação é relevante: juros americanos mais altos reduzem o diferencial com a Selic e podem pressionar o real nas próximas semanas.
China: Banco central mantém juros pelo 13º mês consecutivo e emite alerta sobre desequilíbrio econômico
Na segunda-feira (22), a China divulgou sua decisão de política monetária. O banco central chinês manteve as taxas de empréstimo de referência pelo 13º mês consecutivo em junho, em linha com as expectativas. A LPR de um ano foi mantida em 3,00%, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu em 3,50%. A estabilidade das taxas indica que as autoridades não têm pressa em afrouxar a política monetária, mesmo com a persistência de divergências econômicas mais amplas.
O presidente do banco central chinês, Pan Gongsheng, descreveu o cenário como uma “profunda reestruturação econômica”, reconhecendo que o crescimento dos empréstimos desacelerou nos últimos anos, mesmo com o financiamento por títulos ganhando força. O padrão de “duas velocidades” persiste: dados econômicos recentes mostram o setor industrial impulsionado pela resiliência das exportações, mas com a demanda interna se deteriorando em meio a uma crise imobiliária que já dura anos. Para o Brasil, a China estável, mesmo que com desequilíbrios internos, sustenta a demanda por commodities que são o pilar da nossa balança comercial.
Zona do Euro: Inflação confirma alta para 3,2% em maio, dado final supera abril
A zona do euro encerrou a semana com dois dados relevantes. O primeiro foi o alerta de um economista do próprio BCE: o BCE precisará continuar aumentando as taxas de juros, já que os preços da energia permanecem altos e um cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para que as autoridades monetárias baixem a guarda.
O segundo foi um estudo técnico do BCE que quantificou o impacto da guerra na economia europeia. O economista do BCE Johannes Gareis estimou que a guerra no Oriente Médio deve reduzir o crescimento do PIB real da zona do euro em cerca de 0,4 ponto percentual ao longo do primeiro ano, com base em análise de choques do petróleo desde 1985. O ataque ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz encareceram o combustível para a zona do euro, que é importadora de energia, levando o BCE a reduzir suas estimativas de crescimento duas vezes desde março e a aumentar os custos dos empréstimos neste mês.
Conclusão
A semana trouxe um sinal raro e bem-vindo: a inflação mensal começou a ceder. O IPCA-15 de junho subiu apenas 0,41%, abaixo do esperado, puxado pela desaceleração dos alimentos e pela estabilidade dos combustíveis. O Banco Central revisou para cima sua projeção do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, e a confiança da indústria superou os 100 pontos pela primeira vez no ano. O Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com entrada de US$ 8,196 bilhões em capital estrangeiro em junho até o dia 19. São sinais de que os fundamentos brasileiros seguem firmes, mesmo com a inflação acumulada ainda acima da meta e a Selic projetada para encerrar 2026 em 14,00%, nível que indica pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões de agosto e setembro.
No exterior, o cenário exige atenção redobrada. Nos EUA, o PCE superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado precifica 80% de chance de alta de juros americanos em setembro, o que reduziria o diferencial de juros com o Brasil e poderia pressionar o real nas próximas semanas. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, sinalizando cautela diante de uma economia de “duas velocidades”: indústria forte, consumo interno fraco. E na zona do euro, o BCE alertou que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual e que o cessar-fogo não é motivo para abandonar o aperto monetário.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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NOSSA VISÃO: Semana de 15 a 19 de Junho de 2026

1. Inflação: Focus registra 14ª alta consecutiva: IPCA chega a 5,30%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (15) mostrou a estimativa para o IPCA de 2026 subindo de 5,11% para 5,30%, na 14ª alta consecutiva. Em fevereiro, antes da guerra, o IPCA projetado era de 3,91%, a deterioração já soma quase 1,4 ponto percentual em pouco mais de três meses.
Na quarta-feira (17), o próprio Banco Central reforçou esse diagnóstico em seu comunicado de decisão de juros. O Banco Central elevou sua estimativa para o IPCA de 2026, de 4,6% para 5,2%. A elevação simultânea do Focus e da projeção oficial do BC mostra que a deterioração não é percepção isolada de mercado, é também o diagnóstico da própria autoridade monetária.
2 Juros: Copom corta Selic para 14,25%, mas deixa próximos passos em aberto
O Copom decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, a terceira queda seguida. O comitê deixou os próximos passos em aberto, afirmando que a restrição acumulada pela política monetária permite diferentes trajetórias de juros compatíveis com a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028.
No comunicado, a autoridade monetária destacou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio. Tal cenário, segundo o Copom, exige cautela por parte de países emergentes diante da elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. A próxima reunião está marcada para 4 e 5 de agosto.
3. Crescimento Econômico: Copom reconhece aceleração da atividade no 1º trimestre, mas mercado de trabalho começa a perder força
No comunicado da decisão de juros divulgado na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária disse que o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, “com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.”
Ao mesmo tempo, o Copom destacou que os indicadores correntes de atividade mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas seguem consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, cenário ainda marcado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.”
O diagnóstico do próprio Banco Central confirma um quadro de duas faces: a economia entrou no ano com força, fruto do consumo das famílias e da recuperação de setores cíclicos —, mas o ritmo já dá sinais de perda de fôlego ao longo do ano, em parte pelo efeito acumulado dos juros altos
4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem forte volatilidade na “Super Quarta” e fecha em queda mesmo com acordo de paz assinado
O Ibovespa Futuro operava em baixa, na terça-feira (16), mesmo com o acordo de paz provisório entre EUA e Irã reduzindo o prêmio de risco geopolítico nos mercados globais, os investidores mantinham o foco nas decisões de política monetária do Fed e do Copom, ambas previstas para o dia seguinte.
Na quarta-feira (17), a “Super Quarta”, com decisões de Fed e Copom no mesmo dia, o índice teve forte volatilidade. Antes da decisão do Fed, por volta das 15h, o Ibovespa chegava a subir cerca de 1%. Após o comunicado do banco central americano, o mercado foi reduzindo os ganhos, e a baixa se intensificou na reta final do pregão: o índice fechou em queda de 0,70%, aos 168.453,93 pontos, após cair cerca de 1%, a 167.915,71 pontos, na mínima do dia.
Mesmo com a confirmação da assinatura do acordo de paz, na quinta-feira (18), o ambiente mais tranquilo no exterior não foi suficiente para sustentar uma recuperação. O recuo de 3,48% do petróleo Brent e de 4,09% do WTI, além do declínio de 1,13% do minério de ferro em Dalian, impuseram cautela ao pregão, enquanto investidores digeriam o comunicado do Copom.
5. Câmbio: Dólar sobe 1,25% após Fed e Copom na mesma quarta-feira e volta a R$ 5,17
Na quarta-feira (17), o dólar à vista fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,1104, depois de o Fed manter a taxa básica de juros americana entre 3,50% e 3,75%, mas com projeções apontando possível aumento ainda em 2026, movimento que fortaleceu o dólar frente às principais moedas globais.
O efeito se intensificou no dia seguinte. Na quinta-feira (18), o dólar à vista fechou com alta de 1,25%, a R$ 5,1745. No ano, a moeda passou a acumular queda de 5,73% frente ao real. O movimento refletiu o contraste entre as duas decisões de política monetária da véspera: enquanto o Federal Reserve sinalizou que sua taxa de referência pode subir ainda em 2026, o Copom, ao cortar a Selic, preparou terreno para mais reduções de juros no Brasil, um diferencial que reduziu a atratividade relativa dos ativos brasileiros.
EUA: Acordo de paz com o Irã é assinado e Fed estreia Kevin Warsh com tom mais duro
Na quarta-feira (17), Trump assinou um acordo de paz com o Irã que prevê a diluição do estoque de urânio altamente enriquecido iraniano em troca do alívio das sanções americanas. O pacto entrou em vigor imediatamente, com prazo de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear.
No mesmo dia, o Fed teve sua primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh. O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas retirou do comunicado trechos que indicavam viés para cortes futuros. As novas projeções mostraram que 9 dos 19 membros do comitê acreditam que será necessário subir os juros ainda em 2026 — nenhum deles tinha essa opinião há apenas três meses. A mediana de projeção para o índice de inflação cheio do Fed saltou de 2,7% para 3,6% em 2026, e o núcleo avançou de 2,7% para 3,3%.
China: Vendas no varejo caem pela primeira vez em mais de 3 anos
Dados divulgados na terça-feira (16) mostraram que as vendas no varejo da China caíram pela primeira vez em mais de três anos em maio, sinalizando aprofundamento da fraqueza no consumo interno. A produção industrial, por sua vez, registrou aumento de 4,5% em maio, superando a estimativa de 4,3%. A taxa de desemprego caiu para 5,1% em maio, ante 5,2% em abril.
O quadro confirma um padrão de “duas velocidades” na economia chinesa: fábricas seguindo resilientes, beneficiadas pela demanda global por tecnologia, enquanto o consumo das famílias chinesas enfraquece, refletindo a cautela do consumidor mesmo com o acordo de paz assinado.
Zona do Euro. Inflação confirma alta para 3,2% em maio, dado final supera abril
A inflação ao consumidor da zona do euro acelerou para 3,2% em maio na comparação anual, confirmando a leitura preliminar divulgada pela Eurostat. O resultado ficou acima da meta de 2% do BCE e superou a alta de 2,6% registrada em abril. O dado, confirmado na quarta-feira (17), reforça a trajetória de deterioração observada desde o início da guerra.
A confirmação do número trouxe reação imediata de um dirigente do BCE: Gediminas Simkus afirmou que ao menos mais uma alta de juros é mais provável do que a manutenção das taxas, diante da persistência das pressões inflacionárias.
Conclusão
O fim formal da guerra é uma boa notícia de longo prazo, mas não trouxe alívio imediato. A inflação brasileira segue acima da meta mesmo após o terceiro corte seguido da Selic, e o novo Fed adotou tom mais duro, reduzindo o diferencial de juros que sustentava o capital estrangeiro no Brasil e pressionando o real e o Ibovespa. O Copom reconheceu que a atividade acelerou no primeiro trimestre, mas o mercado de trabalho já perde força; equilíbrio que vai pautar a próxima decisão, em 4 e 5 de agosto.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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NOSSA VISÃO: Semana de 08 a 12 de Junho de 2026
O Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, e o dólar abriu a semana em R$ 5,18, a terceira derrota seguida do real. Mas Trump agiu rápido para conter a escalada, e o restante da semana trouxe uma sequência de dados relevantes: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre foi revisado para R$ 3,3 trilhões, recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, e o Ibovespa encerrou a maior sequência negativa da sua história, oito semanas consecutivas no vermelho, com alta semanal de 1,25%.
Nos EUA, o CPI de maio subiu para 4,2% em 12 meses, o maior nível em três anos, e Trump reagiu dizendo “adoro a inflação”. Na China, o CPI ficou em 1,2% e o PPI atingiu 3,9%, maior alta desde 2022. E na zona do euro, o BCE revisou a inflação para 3% em 2026 e cortou a projeção de crescimento, confirmando o cenário de estagflação que a Europa tenta evitar.

1. Inflação: Focus registra 3ª alta consecutiva e IPCA de maio confirma desaceleração para 0,58%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (08 de junho) trouxe a projeção do IPCA para 2026 subindo de 5,09% para 5,11%, a terceira alta consecutiva. O IGP-M avançou de 6,00% para 6,10%, na 14ª alta consecutiva. Apesar da nova alta nas projeções, o dado oficial trouxe um respiro: o IPCA de maio de 2026 subiu 0,58%, desacelerando frente aos 0,67% de abril.
A combinação dos dois números mostra um quadro de transição: a inflação corrente está desacelerando mês a mês, mas o mercado ainda revisa as projeções anuais para cima, reflexo do acúmulo de pressão dos meses mais críticos da guerra (março e abril).
2 Juros: Selic em 14,50% — Focus eleva projeção para 13,50% em 2026 antes do Copom
A projeção do mercado para a taxa Selic voltou a subir no Boletim Focus divulgado na segunda (08 de junho de 2026). A estimativa para os juros básicos ao fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, enquanto a previsão para 2027 avançou de 11,25% para 11,50%.
A semana antecedeu a reunião do Copom marcada para 17 e 18 de junho, a mais aguardada do ano. Com o IPCA de maio desacelerando para 0,58%, mas as projeções anuais ainda subindo, o Banco Central enfrenta um dilema clássico: os dados recentes melhoraram na margem, mas as expectativas de longo prazo continuam se deteriorando. A elevação da Selic projetada para 13,50%, mais de 2 pontos percentuais acima do que se estimava antes da guerra, sinaliza que o mercado já não espera uma normalização rápida dos juros, mesmo com a desaceleração recente da inflação mensal.
3. Crescimento Econômico: Brasil ultrapassa o Canadá e volta ao top 10 das maiores economias do mundo
O PIB do primeiro trimestre de 2026 subiu 1,1% e chegou a R$ 3,3 trilhões, ultrapassando o Canadá e recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo. Os números dos dois trimestres anteriores também foram revistos para cima. O Ministério da Fazenda mantém a previsão de alta da economia em 2,3% para 2026.
A notícia é simbólica e relevante: voltar ao top 10 global mostra que, mesmo em meio à guerra, à inflação pressionada e aos juros elevados, a economia brasileira mantém um tamanho e uma resiliência que poucos emergentes conseguem sustentar. Para o RPPS, esse é um sinal de que a base econômica que sustenta a arrecadação, o emprego e o consumo no país continua sólida, o que reduz o risco de um cenário de estagnação prolongada, mesmo com os desafios de curto prazo.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra sequência de 8 semanas negativas, a maior da história, com alta de 1,25%
A semana trouxe um alívio importante para o Ibovespa, mas começou difícil. Na segunda-feira (08 de junho de junho), o índice caiu 0,21%, para 168.668,72 pontos.
A virada veio ao longo da semana. Na sexta-feira (12 de junho de 2026), o Ibovespa terminou a sessão com queda de 0,21%, aos 171.134 pontos, mas na semana acumulou alta de 1,25%, encerrando uma série de oito perdas semanais consecutivas, a maior sequência negativa da história.
5. Câmbio: Dólar sobe para R$ 5,18 com terceira derrota seguida do real em meio à incerteza sobre a guerra
Na segunda-feira (08 de junho de 2026), o real teve a terceira derrota seguida, com o dólar comercial subindo 0,45%, para R$ 5,18. O movimento refletiu a tensão renovada no Oriente Médio: no fim de semana anterior, o Irã havia lançado mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, reacendendo o temor de uma escalada do conflito.
Ao longo da semana, contudo, o tom mudou. Israel anunciou suspensão temporária dos ataques ao Irã a pedido de Trump, e o petróleo recuou com a notícia. O alívio geopolítico ajudou o real a se recuperar parcialmente ao longo da semana, embora o nível de R$ 5,18 do início da semana ainda reflita o quanto o câmbio brasileiro permanece sensível a qualquer sinal de escalada ou desescalada no Oriente Médio, um padrão que se repete desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
EUA: CPI sobe para 4,2%, maior nível em três anos, e Trump diz “adoro a inflação”
Além da tensão geopolítica, a semana trouxe um dado econômico relevante: a inflação americana de maio. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,5% em maio frente a abril, em linha com o esperado, e acumulou alta de 4,2% em 12 meses, o maior nível desde abril de 2023. Em abril, o índice havia avançado 3,8% na base anual. A alta em energia se repete pelo terceiro mês consecutivo, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio: em três meses, o avanço foi de quase 20%.
A reação do presidente Trump ao dado chamou atenção. Questionado sobre a aceleração da inflação, Trump disse não estar preocupado e classificou os números como “ótimos”, afirmando: “Eu adoro a inflação.” Para o mercado, porém, o dado é motivo de cautela: economistas avaliam que não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano, com possibilidade inclusive de o Fed voltar a subir os juros. A projeção predominante é de manutenção da taxa no intervalo de 3,5% a 3,75% até o fim de 2026, cenário que impacta diretamente os mercados emergentes, com reflexos na saída de capital da bolsa brasileira e na variação do câmbio. Combinado com o ataque do Irã a Israel no domingo anterior, o CPI reforça o ambiente de cautela que pressionou o real e o Ibovespa no início da semana.
China: Inflação ao consumidor fica abaixo do esperado e preços ao produtor atingem maior alta em quase 4 anos
Na quarta-feira (10 de junho de 2026), a China divulgou seus dados de inflação de maio. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) mede a variação dos preços pagos pelas famílias por bens e serviços no varejo, é a inflação que o consumidor sente no dia a dia. Ele subiu 1,2% na comparação anual, levemente abaixo da expectativa de 1,3% e caiu 0,1% frente a abril.
Já o PPI (Índice de Preços ao Produtor) mede a variação dos preços na saída das fábricas, ou seja, quanto as empresas cobram entre si antes que o produto chegue ao consumidor final, funcionando como um termômetro antecipado de pressões inflacionárias. O PPI subiu 3,9% na comparação anual, o maior nível desde julho de 2022, com os preços da energia pressionando os custos dos fabricantes. Os preços da gasolina acumulam alta de 23,5% em 12 meses, enquanto os alimentos caíram 1,7%, com a carne suína recuando 16,1%, fator que ajuda a conter a inflação geral por enquanto.
O quadro reflete o dilema global: o PPI em alta mostra o custo do petróleo da guerra chegando às fábricas, mas o CPI fraco indica que as empresas ainda não conseguem repassar esses custos aos consumidores, pressionando suas margens. Com o Estreito de Ormuz só devendo normalizar no terceiro trimestre de 2026, o cenário de custos energéticos elevados deve persistir.
Zona do Euro. BCE revisa inflação para 3% em 2026 e reduz projeção de crescimento
Na quinta-feira (11), na sequência da histórica alta de juros da semana anterior, o Banco Central Europeu divulgou suas novas projeções macroeconômicas e o quadro piorou em ambas as frentes. Para a inflação, o banco passou a prever 3% em 2026 (ante 2,6% estimados anteriormente) e 2,3% em 2027 (acima dos 2% projetados em março). Para 2028, a expectativa recuou de 2,1% para 2%, em linha com a meta da instituição.
Para o crescimento, o movimento foi inverso. O Banco Central Europeu cortou a projeção do PIB da zona do euro de 0,9% para 0,8% em 2026 e de 1,3% para 1,2% em 2027. Para 2028, a estimativa foi elevada de 1,4% para 1,5%. As revisões confirmam o diagnóstico que vinha se desenhando nas últimas semanas: o choque de energia da guerra no Oriente Médio pressiona os preços e enfraquece a atividade ao mesmo tempo, o cenário de estagflação que o BCE tentava evitar.
Conclusão
A semana resume bem o momento atual: a guerra continua sendo o fator que move os mercados de um dia para o outro, mas os fundamentos brasileiros seguem mostrando resiliência.
O susto do fim de semana, com o Irã atacando Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, levou o dólar a R$ 5,18 logo na abertura da semana, mas a rápida intervenção de Trump evitou uma escalada maior. A partir daí, os dados domésticos surpreenderam positivamente: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre confirmou o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, com R$ 3,3 trilhões, e o Ibovespa rompeu a maior sequência de perdas semanais da história com alta de 1,25%. Ainda assim, o Boletim Focus elevou a projeção da Selic para 13,50% em 2026, sinal de que o mercado ainda não vê uma normalização rápida dos juros, mesmo com a inflação mensal desacelerando.
No exterior, o cenário é de cautela redobrada. Nos EUA, o CPI subiu para 4,2% em 12 meses, maior nível em três anos, reduzindo ainda mais o espaço para cortes de juros pelo Fed. Na China, o PPI atingiu 3,9%, a maior alta desde 2022, mostrando que os custos da guerra já chegam às fábricas, mesmo com o consumo interno ainda fraco. E o BCE revisou sua inflação para 3% com crescimento mais fraco, o pior dos cenários para qualquer banco central.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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